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** O martírio ... é a única maneira de ganhar fama sem ter competência. **, Bernard Shaw

 

 

 

O fascínio que sinto na observação da inoperância humana, só consegue mesmo ser ultrapassada pela leitura das suas manobras para fugir de uma fatalidade. Creio que a mera presunção de muita gente na ideia que a vida lhes deve algo, que em algum espaço desta existência haverá direito a uma compensação que console, no mínimo, uma desilusão por anos de decisões erradas, leva ao desespero de tentarem vestir uma pele de lobo. Esforço em vão. Porque os lobos não se vestem. São.

 

Como quem mendiga na vida a sua sorte maldita e sempre ignorando que esta não existe, porque não é parte da causa e efeito. Os erros de uma vida inteira a cometer banalidades pessoais são inevitavelmente pagos por um fim de existência medíocre e em  desespero; enquanto se tentam truques de luz para encher aquele poço de nulidade tão carinhosamente escavado durante anos, sempre com a mesma triste noção de necessidade e amor ao próximo.

 

Existem danças que eu não compreendo. Nem sequer pretendo que assim seja. Quem se deseja dançarino nesta vida porque anseia sentir os ventos e o perfume glorioso de um caminho que nunca será o seu causa-me riso. Como se pode dançar na constância maquinal e acanhada de uma vida em martírio, onde todas as opções decididas conduziram a um beco de absoluto nada, intriga-me. 

 

Resta-me uma pequena reserva de riso sábio no final de certos dias, quando tantas vezes se desligam máquinas e teclas, quando se esfregam olhos cansados; principalmente quando se giram os olhos em volta de si mesmos e assenta a realidade pura de nada se haver construido: tudo permanece no mesmo nada. 

 

Não existe realmente êxtase neste sonhar com o que nunca será seu.

 

 

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4 comentários

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De Isa a 28.09.2017 às 12:28

Agora alguém imprimia este texto e fazia dele o prólogo de um livro para iniciantes à Vida, para todas as idades.

(Podia chamar-se "Porque os lobos não se vestem. São.")


Axé e Saravá ao grande autor: Fleuma.

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De Fleuma a 28.09.2017 às 16:21

Bastava apenas imprimir uns panfletos muito coloridos, semelhantes aos que anunciam viagens para os senhores e senhoras na reforma, e deposita-los aos montes nas imensas caixas de correio deste pais.

Sabes que sou modesto...

Saravá.
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De Gaffe a 28.09.2017 às 15:05

Os pobrezinhos mentais e os desgraçadinhos da vida - os mártires pequenininhos -, estão certos de ter adquirido uma impunidade que lhes permite espalhar a baba nauseabunda e a mesquinhez que a indigência mental lhes fornece em tudo o que lhes escapa, em tudo o que não entendem, em tudo o que ambicionam sem jamais tocar.
É a marca absolutamente evidente da inutilidade.
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De Fleuma a 28.09.2017 às 16:46

2 pequenos acrescentos a estas suas sábias palavras: a Gaffe eu não sei, mas eu tenho um humor difícil e nada me diverte mais do que observar a vara atirada para o cachorro devolver; é uma forma muito minha de tédio.

E depois repito-me: a natureza exige comparações entre inferioridade e superioridade. Baba e mesquinhez são parte do processo de morte lenta dos inferiores. O resto reina: Nós.

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