Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



"Hippárchia"

 

...

 

 

 

Entre todas as palavras que troquei com ela, algumas decidi reter. Foi como se falasse comigo próprio e em frente a um espelho. Como pode ser descrito o inexplicável? A sensação que percorre o centro das costas nuas e como uma amante caprichosa, aperta a nuca rígida.

 

Mas retive algo desconfortavelmente sereno como quem observa um qualquer padrão e sabe, pressentindo, o que vai acontecer. Onde cada pensamento foi antecipado. Sempre com a benevolência e sorriso matreiro de quem conhece; já percorreu este caminho.

 

A falta de crença em deuses acaba por respirar, ainda assim, uma outra religiosidade; desvenda-se todos os dias: mesmo quem se acha no meio de nada, ateu, sem nunca o ter exigido, tem fé. Ou então, algo semelhante a uma crença, mesmo que em princípios diferentes.

 

E foi espantosa a sua capacidade, ao conseguir retirar peso a palavras e acções. De frente a ideias políticas, sombras ideológicas, ocasiões e as medidas, não existe muito mais valor do que aquele som dos pneus de uma bicicleta a esmagarem as folhas secas que escutei horas antes.

 

Nada retive de filosoficamente épico; se calhar revelador da pedra filosofal e alquimia suprema.

 

Retive a palavra e expressão de quem está inundado.

 

Como justificar a raiva e a impotência perante alguém que revela uma total ausência de vazio?

 

Maldição!

Autoria e outros dados (tags, etc)







topo | Blogs

Layout - Gaffe