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O bode expiatório é muito semelhante a uma certa farinha administrada aos infantes de tenra idade que geração após geração os tornava encorpados sempre a raiar picos insensatos de insulina, que por sua vez muitas e em bastas ocasiões os deixava preguiçosos e a vislumbrar assim, de ventas ao vento, um futuro nada risonho, aguardando o toque final do peido-mestre na campainha da vida.

 

Este bode é uma lenda de séculos mas não o famigerado bode anjo-caído que esse de caprino nada tem; reza a dita lenda que serve para expiar culpas e delitos de outros. No fundo, bem acamado, serve de bombo de festa e sempre vai vestindo uma burqa de purificação pessoal tentando que outros sejam bodes para expiação dos seus males; estes bem mais reais e vulneráveis .

 

O bode expiatório é um artesão supremo que decidiu cozer em si as maleitas deste mundo. Precisamente quando a necessidade de culpa cresce, o dito bode saltita esbaforido pronto a acatar a peste. Todos os caminhos vão dar ao seu lagar de culpa e desvelo depressivo. A senha de acesso ao seu coração cordial implica sempre as palavras "porquê eu?" ou então, "injustiça".

 

E tudo parece ser sua culpa: se não brilha a lua, agitam-se as peles assumindo o dano. Porque razão é a sua vida um mar de incompreensão? Se conseguisse rosnar em vez de balir, o dito bode que expia seria o berro dos oprimidos; os alvos de tanta voracidade e criaturas abjectas.

 

O bode expiatório desanima perante os tabefes da porca vida; a sua aura vai cedendo ante as biqueiradas da injustiça alheia. Ele não escolheu ser o fruto pecaminoso da virulência das hostes bárbaras! Vai expiando culpas mas é santo e incorruptível, sabe que este é o caminho a seguir para pastos mais verdejantes.

 

Tal como reza a lenda, este manso filho da natureza tem apenas vontade de harmonia. Não existe pois um pingo de justiça nas rasteiras traiçoeiras da realidade. Na sistemática predação de criaturas cujo lugar é o submundo.

 

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