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Como se já não tivéssemos a noção do que significa perder. A grande ironia que é questionar e indagar sobre uma

verdade única e descobrir  que não existe. E que após esta conclusão nada melhora. Piora.

Recuso-me ao falso odor da santidade. Não aceito que nada disto seja mais do que um jogo de dados com o destino. Uma predisposição em que não acredito. Porque não aceito e não quero! E pelo menos ainda retenho dignidade para me levantar todos os dias. Como é possível que assim não seja? Ou isto ou a aceitação de uma vida como tantas outras: a unir os pontos preenchendo um padrão definido. Talvez por isto, alguns de nós prefiram os ganchos na carne das costas. Um meio de sentir algo. Antes desta maneira, creio. Afinal, marcho num mundo dos que se auto crucificam falhando a árvore perfeita. Dos que arrancam o olho errado e dizem escutar o assobio do fogo eterno.

Como se tudo fosse ficar certo e justo um destes dias. Como se os sonhos fossem uma realidade um dia destes. Acreditando em deuses solenemente aborrecidos, com dedos em formigueiro e disposição de nos retirar do universo. Como se alguma vez fosse possível dormir em paz entre destroços queimados!

Como se, caminhando como vagabundos embriagados entre montanhas, nos tornasse melhores. Entre purgatórios escritos em latim.

Como se isto fosse muito mais do que é. Uma pequena nota escrita na margem de uma existência insignificante.

 

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1 comentário

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De alma a 21.01.2016 às 19:28

Um texto pleno de realismo sem falsos pudores.
A vida tal como ela é... sem rezas e crenças... Não sei o que está para além de... mas o purgatório da vida é aqui onde estamos, ainda que haja dias que mais parecem o inferno... pela sua dureza. Adorei a forma como escreves.
Abraço.

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