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Eu mato as horas. Não de forma casual ou sem pensar no assunto. Assassino os minutos de forma cínicamente premeditada. Esta violência nasce de uma mistura obssessiva de desistência, não querer saber e a resignação que tudo o que importa é poder ultrapassar mais um dia. Portanto e em esperança, eu mato as horas. Eu não trabalho, eu não leio e eu não sonho durante os dias. Se eu durmo é apenas para passar o tempo.

Quando assassino as horas eu não deixo quaisquer vestígios ou provas incriminatórias, não existe uma arma, um pingo de sangue e um corpo que necessite cremação. A única evidência pode vir a ser a sombra por baixo dos meus olhos ou aquela fina e terrivel linha à volta dos meus lábios que pode indicar sofrimento, que na privacidade eu possa ter perdido algo. E que nessa perda existe demasiado vazio para poder ser partilhado.

 

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