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Quando olhei pela primeira vez para aquele mar cinzento chumbo, o meu coração caiu. Pela segunda vez, o meu coração parou. E pela terceira, quarta e quinta vez, caiu. Tem sido assim. Desde essa altura. Olhar e cair.

Tão belo como a mais bela mulher que já vi. Nos cabelos longos e negros, nos olhos grandes e habituados à escuridão tardia do dia. Um mar como o caminhar da mais bela. Como o riso que lhe arqueia a face, o morder nervoso dos lábios carnudos e a incapacidade de conter a fúria e a frustração. Até a forma lenta e fria como a corrente atira as ondas para a margem gelada me releembra o seu andar cansado. Mas belo ...

 

Há alguns anos que me reconheço louco. E ainda assim, consigo vislumbrar tamanha beleza nos vestidos negros e longos. Nos trejeitos falsamente apagados. E porque não? O mundo é isto. Isto! E este mundo pára e só existe aquele mar. Tal como ela. E os seus olhos que curam. De resto, nada mais importa. Nem o barulho, nem as outras criaturas. Nada mais. Nem hoje, amanhã ou o futuro interessam.

 

Quando desvio os olhos daquele mar e os afasto dela, o mundo volta a girar e existir. Consigo respirar nele, viver, mesmo sem saber nadar . Mas nunca é a mesma coisa. Permito-me voltar a caminhar e esperar que volte a parar. Nesta veneração e paixão para que volte a olhar e tudo gele. Fique  suspenso.

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