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Tudo se tornou mais fácil quando me apercebi que o mundo não gira à minha volta. Depressa tudo se tornou mais fácil de compreender, mesmo que se tenha tornado difícil aceitar. Desde logo, o sol não representa qualquer cura de calor humano e a escuridão é muito mais amiga do que alguma vez eu suspeitara. A minha psique deixou de se querer expressar por palavras como "amor", "encanto" ou "medo". Não porque não consiga amar como qualquer outra criatura. Não porque não me sinta encantado, antes pelo contrário: um dos meus maiores defeitos é apaixonar-me e encantar-me. E o medo deixou de ser um obstáculo. Apenas descansei sobre esta noção. Amar dói e nem sequer é realmente essencial à minha vida. É nesta minha paixão que reside uma certa transcêndencia. O que realmente me deixa um travo de necessidade e importância. E também é muito dolorosa, uma fonte inesgotável de ódio aos que acham que a paixão cura e mitiga.

Odiar? ...

Significa ainda hoje sobreviver. Bem sei que este sentimento provoca contradições e nojo aos que acham que tudo se resolve num momento de esclarecimento absoluto. Aquele momento em que se acha tudo saber em relação a tudo. Onde até pensamos conhecer os batimentos cardíacos de uma paixão, até concluirmos que não. Que a verdade se limitou a vergar-nos e a abusar de nós. Odeio essa noção e impossibilidade de lutar contra certas condições. No entanto, não consigo deixar de pensar como é irónica a vida, o mero conceito de odiar o que me rodeia carrega-me de força. Como pode uma emoção tão intensa vir de uma paixão e manter-me vivo?

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