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Admito, desde logo, que não sou de riso fácil. O humor descabido que logo desperta gargalhadas de chorar a rir não é apanágio meu. Lamento. Por vezes é um defeito não conseguir rir do que supostamente é bem humorado e merece as ditas pançadas de riso. Outras vezes é uma qualidade não rir do óbvio, mas antes do simplório parolo.

 

Veja-se, as poucas coisas que me fazem esboçar um riso e assim esforçar os teóricos 14 músculos que o acompanham, são assim muito raras e quando tal sucede, valorizo e guardo com amor fraterno. E uma das coisas, direi situação, que me rasga o riso de orelha a orelha, mora em certas palavras ditas por criaturas de má índole e pouca inteligência. Porque representam um oco bater no peito de triunfo perante uma falsa adversidade.

 

Nada me desperta mais humor do que ouvir uma criatura afirmar solenemente que não irá ao funeral de outra. Assim. Como se o universo inteiro que sempre se borrifou para a sua simples existência, quisesse anotar tamanha solenidade. Estas palavras atiradas em direção a outra pessoa revestem-se de tamanha imbecilidade que só consigo deixar de sorrir quando me consigo mentalizar da verdade absoluta. Sim! Existem absurdos assim.

 

Afiançar não ir ao funeral de outro com o objetivo crasso de que irá fazer diferença é cretino. Tem o valor simbólico de uma bolha de sabão a simular uma bala. Valor zero! Não passa de uma frustração pedante e pior, mentalidade de queixinhas caprichosa. Porque só uma soberana idiota, na sua mais possante ignorância, pensa que fará diferença. Não. Não fará.

 

Está morta. Morreu. Acharão estas criaturas de nulo valor que importará a quem se finou a presença ou não? Quem ficar ainda vivo e continuar a desejar não ir ao funeral do que se foi, que se remeta ao que sempre foi. Estúpida incapaz. Não fará com certeza, qualquer efeito no que já morreu. Não insultará qualquer memória porque já não existe. Nem sequer ofenderá porque já não existe para ser ofendida. Quem ficar que desligue a luz e saia.

 

E depois, anote-se: talvez o destinatário destas imbecis e surreais palavras assim o queira também! Pois então, se esta espécie de asno consegue proferir palavras tão ocas e tão divertidas, mesmo pensando que tem toda a razão, será muito melhor que se tente auscultar  a opinião do suposto alvo desta burrice. Possivelmente, eu ficaria eternamente grato  a esta nobre criatura que para ter causado tamanho espirro de parolice só poderia com certeza conhecer muito bem esta impávida incapaz. 

 

Porque existem pessoas com sentidos apurados e desde cedo descortinam virais deficiências morais. Tantas vezes a tonta pensa que nesse descortinar existe ciúme. Claro que não. Há sim uma visão clara do traste tratante que lhe aparece. Do malefício que irá causar aos outros. Por tal afasta-a como empecilho que é.  Estas criaturas de apurado senso de previsão deverão ser ouvidas e acarinhadas. Sempre. Mesmo que no fim se revele não terem razão. Nada é demais para pisar certos vermes.

 

Afirmar não ir ao funeral de outro tem tanto de orgulhoso e maquiavélico como um cão vadio a ouvir as palavras   do padre da freguesia. É ser pacóvio em alta escala. Simplório sem salvação. 

 

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