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Fascina-me intensamente a criatura simples que prefere especar na porta de entrada. A pequena porção do limite que insiste na desocupação de espaço, entendendo perfeitamente que a sua área é vasta. Demasiado grande para algo tão simples. Mas é esta simplicidade robótica, sempre naquela veia de saudável preocupação com o semelhante, que reclama o meu fascínio macabro. 

 

O pequeno grão de areia que sistematicamente emperra a engrenagem evapora, secretamente, a ilusão de ter tropeçado na verdade universal. Seja essa verdade dotada da acrimónia do desespero pela incompreensão de que é na simplicidade mais placenta que deveria morar a harmonia, seja no transpirar sempre cruel dos que não entendem factos tão básicos. Fascina-me o odor desta simplicidade que se arrasta e atropela.

 

Nada mais simples e mandatório do que encontrar conforto nas trovas da procriação e na realização imaculada de entrada pelo portão da morte com a posteridade dos genes assegurada. Lamentam que outros não pensem o mesmo ou não bebam da mesma simplicidade. Quando estes pequenos pontos de luz simples e sem autonomia clamam ruidosamente pelas virtudes de serem mães ou pais como essência vital para a sua vida explicam apenas o seu próprio fastio desgostoso e incapacidade de engendrar algo mais. Um pouco mais que seja além do mais básico oferecido ao nascimento e que apenas serve para prolongar a raça.

 

 

 

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2 comentários

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De Autumn a 05.05.2017 às 22:06

Sei que desapareci. Mas continuo a passar por aqui para ler os teus posts. Cheers.
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De Fleuma a 06.05.2017 às 12:04

Sim.

E tenho saudades tuas.

Também vou tendo cada vez menos tempo para este blog.

Cheers!

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