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Irmãos ...

 

Que estranho êxtase esse! Por estranhos vapores e incensos, homens pensaram e decidiram a santidade. Eis! A vossa santa presença em quimeras onde outrora vagueavam pastores desconhecendo os mistérios do universo - que não se importa com os santos. Nem vislumbra milagres. Nem respira as devoções que se banham na utopia da glorificação.

 

Sabeis, irmãos ...

 

Que me visto com rigor em ocasiões solenes? Na vossa morte criada e nutrida por visões e segredos atestados por velhos senhores, enquanto vão arrastando as sotainas nas pedras de monumentos há séculos mortos. Pelo vosso segredar ajoelhado e dedos entrelaçados aguardando o vazio do esplendor beato. Visto-me com rigor.

 

Pelo branco que se aceita limpo ou antes o negro do puritano, sabeis ...

 

 

Que não vos vejo em celeste redenção? Que me julgueis caído e em comunhão com outros e cego! Porque não consigo deixar de perguntar e julgar vosso ungir, perdido que estou, ante a vossa estéril cama. 

 

Que estranho êxtase esse, irmãos ...

 

Cego e surdo ao que se aproxima. 

 

 

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 " Love, don´t give up on me ..."

 

Alguns de nós nascem sem um propósito. Nada mais do que uma prolongada queda entre caminhos ornados. Na maior parte das vezes os seus dias são rápidos, patéticos e inúteis. Sempre com a esperança de salvação. Nem que seja pela caridade alheia e vizinha. 

 

Como se não soubessem desde sempre o que significa perder. Perder com o destino e enquanto se rolam os dados - pensam. Se ao menos tivessem alguma dignidade. Uma vida inteira a unir pontos onde não existem padrões. Como se a ironia de tudo isto fosse apenas uma defesa. Como se esta ironia não fosse aquele império, nação e tribo cuja capacidade de rir tudo alimenta.

 

Deveríamos rir de tudo isto. Nem que fosse apenas pela necessidade de mudança. Como se os ganchos que se cravam nas nossas costas mais não fossem do que um embaraço e pudéssemos sentir agonia.

 

Alguns de nós conseguem ser os seus próprios verdugos e crucificar-se a si mesmos. E mesmo assim, escolher a árvore errada! Rasgar o seu próprio olho. E ainda assim, o olho errado! 

 

Outros ardem, queimam da maneira e forma que assim desejaram. Como se um destes dias tudo volte a ser como era. Tudo certo. Mesmo que se adivinhe que os sonhos não são para todos. Porque os deuses se aborrecem com a paz dos corações e os seus dedos tiranos ardem em comichão.

 

Como se fossemos diferentes a caminhar cegos entre montanhas. Como se fossemos diferentes na capacidade com que conseguimos soletrar a dignidade do purgatório.

 

Como se isto fosse muito mais do que uma mera nota no diário da futilidade.

 

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"The first I know, unknown to rulers,
Or any human mind;
Help it is named, for help it can give
In hours of despair....

 

The Wise one has spoken the words in the hall,
Joy to him who understood! 

 

...As the darkness fell and gone was solens light
The silence ruled amongst the men of heathenpride,
Who gatheren in a mighty battle-line
And awaited their Gods to give the final sign..."

 

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Georges Bataille escreveu, que neste mundo apenas temos duas grandes certezas: que não somos tudo e que iremos morrer. Aprendi isto, de maneira insofismável e dolorosa quando deixei de procurar uma luz ao fundo do túnel e acreditei que a resposta estava no lado oposto. Na escuridão. O esclarecimento que tem toldado a minha visão, porque se tratam de respostas que nunca pensei encontrar num universo tão afastado da visão normal das coisas, muito seguramente não me levou para o meio de quatro paredes brancas e almofadadas porque mantenho a razão como alicerce céptico. Ainda ...

 

Estou, há anos, longe da crença de raiz angelical e de um paraíso acima da minha cabeça. Apenas porque sempre me custou aceitar a visão de quem nunca olhou para o seu semelhante de igual forma. O seu Deus é grande! E tudo o resto vacila aos seus pés. Porém, não existem respostas para vagabundos como eu. E nunca tive medo de olhar para outro lado. Pela recusa de ser ovelha e olhar para um rebanho em desespero de causa.

 

Foi na escuridão, longe da claustrofobia supersticiosa, que encontrei uma saída. Muito embora, ainda não tenha saído, porque me recuso a sair sem absorver tudo o que consiga. Mesmo que, por gula, venha a afundar-me. Preciso. Necessito disso.

 

Bem longe do alegre viver de tantas criaturas. Contentes por uma pequena migalha. Ainda que eu saiba ser comum a tantos outros, pelo menos em futura velhice e mortalidade certa. Reconheço, no entanto, a desilusão. A oposição a uma luz opaca de um santo padre que não consegue iluminar a mente de ninguém. E por estranho que pareça, as conclusões não me assustam.

 

Não vejo nada a ganhar ou perder na convivência humana. Ainda estou para ver algo que seja realmente permanente; pelo menos perante o olhar inquisidor do tempo. A vontade de encontrar respostas num mundo para além do universo físico será sempre uma barreira para a nossa vida real. Georges Bataille tinha razão; não acredito que alguma vez possa haver êxtase ou salvação. Não seremos iluminados ou julgados. Apenas por um breve momento, uma pequena fissura, poderemos sentir o que significa verdadeiramente estar vivo. E já me disseram que apenas acontece a quem está atento.

 

Porque quando passa, a existência deixa de ter qualquer sentido. Espero que sim. Já que depois apenas resta o inevitável regresso a Nada.

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Conheço aquele sentimento que engana. Afirma que tudo estará bem. No futuro. E sei perfeitamente que não estará. Não agora. Basta olhar o espelho de frente que a questão surge. Creio que até já deixou de ser relevante. Já deixou de o ser. Marcado a ferros e de forma ironicamente permanente, a certeza de que sem outra pessoa não consigo subsistir. E a confirmação ( por estes dias, confirmar parece ser um alimento podre ...) de que cada vez mais não existe companhia na presença de outros. A falta de paciência já se tornou numa soturna companhia, pouco dada a mais necessidades que não sejam as de fazer com que o tempo se esvaia sempre mais depressa. E por cada minuto que me sinto acompanhado, tantas vezes densamente emersos em escuridão, depressa se confirma ( sim, confirmar, uma vez mais ...) que o resto dos dias serão aquele calvário antecipado, do choque traumático de quem se forçou a conviver com a solidão déspota e mesmo assim sempre soube que encontraria salvação em outros braços.

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