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" A sério! ....

 

 

Qual é a vossa desculpa?! ..." 

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Quanto mais observo e escuto o que se passa à minha volta, mais me convenço ser verdade algo que há poucas semanas me foi dito cara a cara, olhos nos olhos - tu se calhar, estás mais próximo da verdadeira liberdade do que qualquer outra pessoa que conheça.

Sempre pensei exactamente o contrário. Sempre achei que era muito mais prisioneiro de paixões e sonhos do que própriamente em liberdade para o que fosse. Nada se consegue comparar quando nos colocam na posição de secundário em relação a animais de estimação, porque somos incapazes de, mesmo que por segundos, agir ou reagir como pretendem que assim seja.

 

Mas, se calhar em alguma volta mais escarpada, perdi a noção dessa liberdade. E para isso, se calhar alguém será necessário para me alertar  deste facto. Talvez eu seja realmente livre; não totalmente, porque essa canção de absoluta libertação só pela morte chega. Mas o mais livre possivel. E porque não? Se desde muito cedo deixei de acreditar em profetas ou em livros de profecias. Pode ser que a libertação seja o meu ardor por ganhar dinheiro e gasta-lo em expêriências, como nadar junto aos golfinhos, olhar o lobo mais negro que possa imaginar nos olhos e sentir-lhe o arfar quente no rosto.

Creio que a liberdade pessoal é algo bem mais precisoso do que muitos imaginam. Dói e faz sofrer, tanto fisica como mentalmente. Raramente é aceite e muito menos compreendido pelos que me rodeiam. Vive-se com uma extrema intensidade. Essa intensidade assusta os que não aceitam, mas para mim é viciante. É poder dizer que eu não sou apenas uma parte do todo. Que é verdade, só eu próprio me posso libertar.

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Objectivo atingido: ver em concerto ( Amesterdão) uma das minhas absolutas referências de extremismo musical. A banda Immolation


Confirmação de um facto: Monstros sagrados e absolutos em concerto. Inesquecível!


Duplo objectivo atingido: estar frente a frente com os membros da banda em amena cavaqueira de troca de ideias. Por entre latas de cerveja, pude confirmar uma verdade por outros transmitida: Ross Dolan, o vocalista, um gigante de tamanho e inteligência, animal de palco cujos cabelos ultrapassam as nádegas em cumprimento e densidade (!), ateu convicto, anti religião por todos os poros, é de uma generosidade e desprendimento absolutamente surreais!

E como bebem estes senhores!!


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"Que existe uma estranha forma de magia no toque dos teus lábios ...

No entanto faz-me sofrer. Deveria consolar-me, tal é a forma como esse beijo sonda a minha alma. Mas apenas estilhaça em mil partículas o que deveria permanecer quente e afectuoso.

Quando os teus dedos viajam pela minha face, muito para além de um sereno arrepio, fica a saudade. Fica a falta de algo. O vazio que ecoa. E a vontade de tomar de assalto a tua beleza.

Não chega. Preciso de muito mais.

E por suprema e maquiavélica ironia, só tu podes concedê-lo."

 

"Hoje, a noite foi de esquecimento. Talvez pelo turbilhão do teu corpo. Se calhar pelo sussurro da tua voz. Perdi-me. E a ponto de não querer voltar a encontrar-me.

Quis que assim fosse. Banhado pela radiância da tua estranha mistura. Afinal, também tenho o direito a sonhar.

O brilho dos teus olhos na escuridão tosca? Umas das minhas verdades absolutas! Por muito náufrago que me sinta: uma das minhas verdades absolutas."

 

"Por cada rasgão e por cada pinga de sangue que me pertencem, de ti recebo o profano bálsamo de sôfrega cura. Se a minha voz se propaga segura e orgulhosa é apenas porque tu há muito construíste as escarpas por onde ecoa.

Por mim, o inverno seria eterno e o céu estaria para sempre coberto de esuridão, apenas porque tu me relembras todos os dias como é vital o calor e a luz do sol."

 

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"O espírito é o grande favorecido com as derrotas da carne. Enriquece-se à sua custa,  saqueia, regozija-se com as suas misérias; vive do banditismo. A civilização deve o seu êxito às proezas de um bandido."

 

 

"Para nos vingarmos dos que são mais felizes do que nós, inoculamo-lhes,  na falta
de outra coisa as nossas angústias. Porque as  nossas dores, infelizmente, não são contagiosas"
"Todos os nossos rancores provêm do facto de havermos ficado abaixo das nossas possibilidades, sem nos termos conseguido alcançar a nós mesmos. E isso nunca o perdoaremos aos outros."
Citações de E.M. CIORAN

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Encontro pacificação num olhar.

Interrogo-me, vezes sem conta, como pode isto ser possivel? Apenas com um olhar, consegue deixar-me sereno. Sem pinga de ódio.

Pode uma mulher, de aparência frágil e suave, reter em si tamanha capacidade de vontade e serenidade? Perguntas. Nada mais. Também, não preciso de respostas. Estão sempre à minha frente. Nos seus olhos. Nas suas mãos.

Os poetas, esses tolos românticos, chamam-lhe amor. Eu chamo-lhe paixão. Acordo de sonhos, tantas vezes cruéis, e ela lá  está, à minha frente: pernas cruzadas, uma camisa tão larga - gosta de vestir o que é meu, diz-me - a cobrir-lhe o corpo que desejo, sempre. Muito. Olha-me, atenta. Para mim, é o que de mais próximo está de algo divino. E quando ilumina a face com aquele sorriso, a força que despeja sobre mim é tal, que quase duvido se estarei acordado. Tudo, muitas vezes, sem uma palavra. Não é isto paixão?

Que posso fazer, para demonstrar que ela é a mulher que realmente me completa? Eu, que me golpeio para me sentir humano? O que qualquer reles criatura como eu deve fazer perante algo inevitável: deito abaixo todas as defesas e entregou-me, sem condições.

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Por apenas uma vez, sonho. Sonhei. Que tudo o eu dizia fazia sentido. Onde existiam dúvidas e pressentimentos, se revelavam verdades.

Sonhei. Que na minha voz, podias ouvir a minha canção de guerra. Por breves verbos, poderia ser ouvido. E onde habitava, uma meia luz inundava a escuridão.

No meu mundo, ténue de equilíbrio, caminhavas sem receio. Sem terror, sem loucura. Para além deste vácuo infermo. Eu estava sóbrio. Eu não sentia angústia. Conseguia dormitar. Num chão rachado. Frio. Invernal e, mesmo assim, amigo.

As lágrimas que afogavam o meu rosto, eram afinal, de cristalina certeza. A certeza da chegada. Onde? Não me importava. Apenas que chegara.

Poder, finalmente olhar cá  de cima. Sangrando do pés, caminhante, podia sentir-me apenas humano.

Um sonho, onde rejeição era carinho. Sonhos. Onde a minha paixão se desvanecia, nos teus lábios.

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E todos eles voltam a face,

Quando passas, ao largo

Porque acreditam que a tua vida

Não tem sentido!

 

Se não tem sentido,

Então porque vives?

Porque não morrer, já?

Pôr um fim a essa calamidade.

 

Numa cápsula, a tua versão,

De uma vida vida opaca, aversa

Num hospital, a nova esperança

De ser aceite. Algum dia ...

 

No branco da luz, da sala

O ódio à alvura dos dias,

Apenas a escuridão é bem recebida,

Em vida sem sentido. Sem regresso.

 

Dar-te a mão. Erguer-te.

Num mero sorriso, a felicidade de outrora

Antes de se esfumar em lágrimas,

Esmagadas por um suave soluçar.

 

Pressentes a tempestade?

Será que nunca mais pára?

Porque o esforço é por demais cruel,

Nessa vida, sem sentido.

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Quase terminaste com a vida,

No abismo que conhecemos, já

Nas lembranças que te feriram,

Nos golpes que recebemos, nas desilusões

 

E pelas minhas palavras, lidas

Tão distantes, tu encontraste vigor?

Pudeste olhar, de novo

Além da escuridão

 

Porque sei do fardo que carregas,

Onde por mim te podes apoiar

Por isso cruel, nas minhas palavras

Viste... Luz!?

 

Como? Como é possivel,

Que neste meu recanto obsceno

Que povoo com profundo desespero

Tu, alma mortal, te tenhas abrigado?

 

E se isso te fez respirar

Voltar a ver, sentir

Que morremos pelos mesmos cortes

Nas cordas estamos, e resistimos

 

Que tão distante estás, Continentes

Tu me tenhas farejado, grotesco e em abandono

Perguntes, peças

Me amarres a  este poço insalúbre

 

Deveria odiar-te

Por este peso, essa tua salvação

Nas minhas letras encontrares reflexo

E que te ajudam a viver,

Mais um dia...

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Finalmente, um pequeno momento de loucura. Que possa ter sido tão breve com esta vontade de tudo rasgar. E de novo começar. Mora nesta veia profana e desmedida, a virtude de querer. Tudo. E nada poder possuir.

Inconcebíveis se tornam os dias em que não tocamos nesta loucura. Em que não rasgamos a nossa diáfana inocência. Matando-a. Poder fazer disso a miragem perfeita. Tornar a ser livre. Triste impossibilidade!

Tamanho tesouro, este. Fugir e defletir a tarefa dos dias que não terminam. Prosseguem. Sem pausa. Sem piedade. Morrer sem saber o que é ser a própria sombra? Haverá pior castigo? Saber que nunca serei perfeito. Harmonioso. Num paradoxo absoluto. Nesta irracionalidade chamada perfeição, medir essa mesma dor e sorrir. Ao falhar a perfeição.

Faço desta breve fuga à realidade, um rasgo. Uma visão que cega. Antes de assumir o meu devido lugar. O de grotesca criatura com um tempo de vida definido, por genes e por cansaço. Seria a morte ideal, o fim completo. Finalmente conhecer a verdade absoluta. Intocada. Imaculada. Seria ver. Finalmente saber o que é a perfeição.

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