Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


 

 

Parafraseando a insanável Isa, vou "ahahahahazar",

 

"AHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!"

 

 

 Como óbvio se torna, venero este senhor.

 

De alguma maneira consegue desestabilizar-me ...

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

(999)

 

 

A redenção tem um preço. Escorre com um sabor acre. A mim sempre me pareceu. Só os conscientes do naufrágio procuram a redenção, como se de uma amante infiel se tratasse. Vamos desfiando os dias no falso sossego da salvação; talvez dentro de horas anoiteça e consigamos dormir.

 

Sono.

O verdadeiro pathos para a redenção. Ironicamente, dormir é rendição. Redimir sem batalhar. Nem sequer será o afago terno do abraço transformado em caricia. É não lutar. É descansar. Dormir.

 

Eu tenho visto tentativas de redenção em poucos rostos. Mentiria se afirmasse acreditar nas faces que sorriem, tentado a salvação. É meu descrédito, mas quem respira uma vontade de redenção não consegue sorrir. Sei antes que vamos apodrecendo um pouco mais em cada tentativa. Temo que um sorriso se revelaria demasiado penoso pela consequência.

 

Não tenho a certeza mas numa espécie de arremesso deixei de procurar a redenção nas cápsulas e pequenas substâncias redondas como ilusões de esperança, e reconheci a necessidade de vagar sem a doce certeza de que o que foi deixado seria sempre uma garantia de pacificação. Sintética juíza da minha incapacidade de salvação.

 

Estranhamente, não existe deus na redenção. Apenas uma monstruosa noção de vazio e da sua necessidade de preenchimento. Um brilho intenso nos olhos como numa permanente vontade de devorar. E uma certeza, clara como uma manhã de verão, de que não existe uma cura. Apenas se vive entre mundos.

 

Nós, procurando um redimir, vamos pontuado o nosso corpo com cicatrizes e imagens, numa vertigem quase messiânica de aviso e arrependimento. Dolorosamente convencidos dos traços deixados transformados em cinzas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

(The Principle of Evil Made Flesh)

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

" Aquele que se delicia com a solidão ou é um animal ou um deus." -  Aristóteles

...

 

(999)

 

Eu não tenho ídolos. Creio ser essencial para a minha sobrevivência matar os ídolos. Nada tem de filosófico esta necessidade parricida. Apenas um instinto primário de consumir o hospedeiro para subsistir. Respirar. E é nosso. Meu e de todos. Este desejo de consumo. Não me sinto culpado.

 

Eu tenho luzes que aceito como estradas e abrigos. Referências tresmalhadas que habitam na minha vontade. Todas estas luzes, faróis de navegação descompassada, são a materialização da morte do conceito humano de deus e o cimentar do meu mais puro ódio contra todas as religiões. Fascinam-me individualismos onde não existem tronos de castigo de fogo eterno ou prometidas virgens.

 

Um hedonista que se deslumbra no espasmo da mentira de tantos que julgam possuir virtudes e direitos oferecidos por deus. Um viajante meticulosamente fascinado como uma criança perante a América de Idaho; deslumbrado pelo puritanismo de Adão e Eva, armas vendidas a preço de saldo nas mercearias mas que a quem procura uma verdade diferente, nada existe que incomode. Descoberta de um local encantado onde se pode possuir uma montanha nas traseiras da casa. Onde, absorto, estarrecido e deslumbrado, consegui ver um grande Alce na estrada gelada! Um enorme Urso! Um truculento Lobo!

 

Não tenho ídolos. Decidi sentenças de morte. Simples.

 

Quero conhecer o que pensam as estrelas de nós. Sinceramente. Vasculhar entre os fios da realidade as adoráveis silhuetas dos poucos eleitos capazes de beber utopias. Pessoas que me rasgam as convicções e ensinam a regressar para escapar, desaparecer, render-me ao espaço e ao silêncio tirano. Encontrar abrigo nas fissuras da armadura.

 

Floresta negra onde olhos verdes que brilham se convertem em desarmonia e urge que sejam escondidos. O corpo deve ser pudico e amplamente coberto, porque a visão de quem se cruza parece absurdamente severa diante o exagero de tamanho. Não se deve sequer tentar juntar os ombros com as montanhas que nos cercam. Aqui as mulheres ainda se atemorizam com o peso e tamanho de um homem.

 

Viajo incansável porque as luzes se afastam. Sou uma criatura de colheitas que sorve atmosferas. Humilhado pela sua insignificante presença no universo. Assombrado por chamamentos de prata e ouro onde pensei ver apenas um olhar distante e frio.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

A pequena - morte vive no seu desvelo de cinzas na correnteza do ar. Ali: escondida entre as margens acima e imersa em si própria.

 

Mesmo que perca a luz do sol, escreve ao ondear da chama das velas, brilho lunar, sem luz. E ainda que perca o papel e a tinta, escreve em sangue nas paredes esquecidas. Escreve sempre. Tomando para si as noites do mundo e plantando o sussurrar dos pensamentos em cima do ombro dos incautos que a escutam.

 

Dizem que o verdadeiro amor só brilha uma única vez nas horas que consomem e que devemos esperar pacientes até que rasgue a aurora dos dias. A pequena - morte tem esperado. Tem procurado. Debaixo da lua, andado pelas ruas até ao amanhecer. Vai misturando fórmulas arcaicas, bebendo a depressão. Escondida no sono. Mutilando-se em sonhos. Acordando mais velha. Mais consumida.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

 

 

Poland 2017.

 

 

Thank you! We will never forget.

 

Until next time.

 

 

Besiege the thrones of reverence!

Autoria e outros dados (tags, etc)

 " Devemos a quase totalidade das nossas descobertas às nossas violências, à exacerbação do nosso desequilíbrio. ", Emil Cioran

 

(999)

 

Mil palavras não seriam  suficientes para o descrever. Talvez a viagem apressada do sangue pelo corpo seja um pálido reflexo. Talvez o medo de esmagamento. Talvez o incessante pensamento a martelar - que a manhã se encaminha e o esforço da noite findará - seja o suficiente para aceitar o descanso.

 

O que é este sentimento de gigante que sinto? Esta profana noção de força bruta assusta-me. Tentar significados quando se superam fraquezas não tem descrição. E mesmo a lógica mais fria não comanda o conforto da negação ao que foi antes vaticinado. Não se explica. Sente-se nas piores tormentas. É pele que não se veste como galhardo esforço para aparência. É carne temida pela mácula dos frutos que para ti, ele, ela e eles, geraram uma capacidade quase surreal de forçar uma força que nunca serão capazes de sonhar.

 

Mil palavras não descrevem as mãos gretadas pelo atrito no ferro. Como se tornam grandes para não deixar fugir o momento em que finalmente aquele peso, antes miragem de espantos, se eleva do solo. O sangue que escorre entre as narinas quando as costas lutam com o peso e a gravidade. E alguém consegue sequer vislumbrar  o êxtase de passar a língua por esse sangue que escorre quando  nos gritam, entre a névoa da dissipação mental, quase de mãos dadas com o desfalecimento: " - Conseguiste!! "

 

... Uma vez mais.

 

Já me foi afirmado que certas tentativas de superação são perfeita loucura e caminho para um fim rápido. Uma grande maioria.

 

Outros, poucos, quase irmãos, sabem do segredo religioso. O delírio que enche o corpo e a mente. O triunfo de uma dor partilhada por ombros, peito, costas e pernas em fogo. Alquimia de espessura muscular que cria gigantes ...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

 

" We shared the thirst of swans in the summer ..."

 

 

São necessários anos para que alguém consiga entrar de mansinho para além dos muros de protecção. São depois necessários mais anos para que consiga aceitar que esse alguém veio para ficar, permanecendo, mesmo com as mais firmes privações friamente expostas aos avanços.

 

Anos.

 

Para que pudesse entender que isto era também uma dádiva. Para não desistir e afundar. Inevitabilidades expostas como cicatrizes pontilhadas na acidez e incapacidade de perdoar: a mim próprio.

 

Aceitar ser o lamento e o outro a cicatriz. Saber mais do que nunca porque razão se atropelam, lancinantes, as emoções ao rubro. Que perante a ferocidade das dentadas se dilaceram as dúvidas; noite em manhã. Sal das águas que curam. Toque. Apenas isso chegou a ser o necessário.

 

Tudo isto dentro. Tão forte em palavras que são bem mais do que letras. Ser a noite para que seja esse alguém a pintar ainda mais negra a necessidade da presença.

 

E essa vontade cria a raiz da tanta fragilidade. Como se torna fácil um desvio no caminho traçado. Escolhido e desenhado anos atrás. Esfumado no meio do que se perdeu. Sem regresso possível ou aceite.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

 

 

 

 

Por caminhos que se cruzaram, talvez porque assim deveria ter sido ou então, porque em muito raras e preciosas ocasiões duas criaturas quase gémeas conseguem sentar-se e partilhar sombras, um pacto foi estabelecido. Eu permaneço insignificante perante ele; vejo as formas físicas de um universo em que cada vez confio menos. Ele não precisa de tamanha montanha em frente ao sol dos seus pensamentos. Um cego que melhor observa todos os caminhos de guerra; os meus e os seus.

 

Partilhamos a sala rodeada de livros; uns mais maçudos que necessitam da ponta dos dedos para que os absorva. Outros têm letras e imagens a preto e branco. Gostamos dos momentos transformados em horas tardias quando a noite já parece infinita. Leio estes em voz alta enquanto muitas vezes entramos em conversas amenas e em ocasião mais sombrias. Entre tragos de um Porto doce soltam-se as correntes até que amanheça naquele local ameno e a cadela branca se apronte para se tornar fiel companhia guiando o caminho até ao quarto.

 

Numa destas noites, já ébrios e de espírito aplacado, afirmou que raramente se importava com o génio dos grandes escritores. Que estava lá. Existia. Provado e sem necessidade de comprovação. Parecia tão fácil olhar o génio como algo natural em certos livros. Quase perdia o brilho e o fascínio.

 

Não poderia concordar mais. Antes procuro o fascínio do génio na pessoa comum. Criatura de todos os dias que não imagina o brilho intenso que emana daquilo que despreocupadamente escreve. Uma genialidade que se embala no rasgar emocional; não na construção cuidada e planeada de um conjunto de símbolos a que chamamos palavras. É aquele traço fora da natureza mundana que força o meu olhar. O génio mora na capacidade que o próprio desconhece de conseguir transportar-me sem esforço. E quando confrontados com a sua destreza encolhem os ombros genuinamente descrentes.

 

Como na música: Stravinski, Paganini, Bach entre outras raridades. Génio fácil e dado como adquirido. Fico antes esfomeado com as notas escuras que tantas vezes se afastam do ouvido comum. Na sua mensagem e vibração habita um estranho e paradoxal fascínio tingido por diálogos com a alma. O genial de toda esta dicotomia emana mesmo do facto de oferecer caminhos. Seguir pelo que realmente ansiamos e não o que é suposto acaba também por ter o seu toque de génio.

 

# A ti.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

 

 

Deveria recordar-te que nada em mim será capaz de te magoar? Que os pressentimentos e agoiros que vês agora talhados no meu corpo, são memórias extraídas dos dias que testemunhaste. Então porque razão estremeces quando me dispo e me olhas? Que perante ti não existem campos de raiva ou guerra. Que quero a possibilidade dessa salvação.

 

Quantas vezes cerrei os olhos para que se apague o brilho que neles dança quando te toco? Baixei as mãos em rendição e abri as portas para além dos muros. Em quantas noites tem sido calada a ânsia entre as sombras do regresso e saudade? Quando a expressão dos teus suspiros me sussurram feitiços e mantras de encantar.

 

Serei capaz de te demonstrar uma e outra vez que rugosidade e densidade serão a companhia perfeita para os teus olhos e neblinas. Que estremeças apenas por saber que o animal se encontra tranquilo por ti.

 

E dorme.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)




Arquivo

  1. 2018
  2. JAN
  3. FEV
  4. MAR
  5. ABR
  6. MAI
  7. JUN
  8. JUL
  9. AGO
  10. SET
  11. OUT
  12. NOV
  13. DEZ
  14. 2017
  15. JAN
  16. FEV
  17. MAR
  18. ABR
  19. MAI
  20. JUN
  21. JUL
  22. AGO
  23. SET
  24. OUT
  25. NOV
  26. DEZ
  27. 2016
  28. JAN
  29. FEV
  30. MAR
  31. ABR
  32. MAI
  33. JUN
  34. JUL
  35. AGO
  36. SET
  37. OUT
  38. NOV
  39. DEZ
  40. 2015
  41. JAN
  42. FEV
  43. MAR
  44. ABR
  45. MAI
  46. JUN
  47. JUL
  48. AGO
  49. SET
  50. OUT
  51. NOV
  52. DEZ
  53. 2014
  54. JAN
  55. FEV
  56. MAR
  57. ABR
  58. MAI
  59. JUN
  60. JUL
  61. AGO
  62. SET
  63. OUT
  64. NOV
  65. DEZ
  66. 2013
  67. JAN
  68. FEV
  69. MAR
  70. ABR
  71. MAI
  72. JUN
  73. JUL
  74. AGO
  75. SET
  76. OUT
  77. NOV
  78. DEZ
  79. 2012
  80. JAN
  81. FEV
  82. MAR
  83. ABR
  84. MAI
  85. JUN
  86. JUL
  87. AGO
  88. SET
  89. OUT
  90. NOV
  91. DEZ
  92. 2011
  93. JAN
  94. FEV
  95. MAR
  96. ABR
  97. MAI
  98. JUN
  99. JUL
  100. AGO
  101. SET
  102. OUT
  103. NOV
  104. DEZ


topo | Blogs

Layout - Gaffe