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Escuro,

 

Quando se torna mais fácil aceitar a minha própria natureza. Antes direi, a minha própria forma de existir. Há muito adormecido por falsas afirmações, acordado perante vozes que de tão raras serem se tornam pequenos rastos feitos por estilhaços e cuja a única função reside no meu despertar. E do que falo eu? Pouco sei. Pelo menos algo muito para além do último trago de álcool ou muito mais distante da nuvem de fumo do cigarro apagado a meio.

 

Sei que a prostração é a maior causa e consequência dos meus humores pelo absolutismo ( tirano e exigente, sei-o..) da escuridão. E não peço desculpa ou absolvição a quem seja por sistematicamente insistir nesta palavra: escuridão. Porque cheguei aquela encruzilhada onde nada resta a não ser um olhar ou outro. A vossa luz ou a minha escuridão de sombras que apenas "vê" salvação muito longe. 

 

Gosto de me sentar em frente a ela e ficar em silêncio. Mas, de forma progressiva e à medida que executo este ritual, vou percebendo como este silêncio me corrói a como a deixa triste. Até porque só as mãos cruzadas e os olhos que se fitam já não chega. As separações são cada vez mais dolorosas, as saudades dos ventos do norte e os passeios pela floresta consomem a minha alma de uma forma absolutamente trágica. Substituo tudo pela indiferença até voltar a ela.

Eu insisto  e confirmo em cada dia destes que não faço parte desta terra. Deste mundo sequer. Sei que não morrerei aqui. Sei.

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