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Hoje já se perdeu a noção de viagem. Acabou, para a maioria, o significado de viajante. Da partida para outro lugar e outros horizontes.

Sei que a minha geração, os futuros doutores e governantes, não sabe o que é viver em escuridão abençoada. Sei como se tornam descrentes quando lhe conto o que os meus olhos já viram. As mulheres nórdicas que dançam nuas em festa pela vinda do solstício de inverno e onde uma pele morena como a minha destoa, por entre o branco e o loiro. Não sabem do prazer que é acender uma fogueira ritual enquanto se bebe um néctar de álcool, sentir a liberdade de uma criança. Só quem viaja realmente, quem saí do seu pequeno mundo, almeja por aquele fogo livre. O momento de reparar no que sempre ali esteve.

 

Depois, é ler as palavras dos outros. É observar e conservar na nossa própria boca, como se fosse um rebuçado de fruta ácida. Sentir o sabor lentamente. Porque não há mais.

Ou então, no meio do nevoeiro do entardecer, quando o corpo moído, dorido pela viagem, apenas quer adormecer, mesmo assim prolongar a vígilia como quem disfruta de um suave licor. Deixar que toda a gente siga em frente. Que todos sigam com a sua vida e afazeres. Que todos saibam o que querem e para onde pretendem ir. Eu sei que não sou parte deste local. Desta existência.

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