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Se me fosse concedido um último e final desejo, se realmente tal fosse possivel, eu não hesitaria. Não me interessa o mundo, nem a paz ou o amor que nele pudesse haver. Não pretenderia questionar deuses. Não pediria a vida eterna.

Um último desejo, realmente realizável, não seria pela felicidade da odiada humanidade. Pouco me importaria a fome ou a desgraça. Não quereria saber  se existe vida para além desta miserável existência.

 

Se me fosse concedido um último e final desejo, desejaria ardentemente olhar para o mais profundo da alma  humana. Ver. Senti-la e cheira-la. Acima de qualquer outra noção, contra qualquer outro desejo ardente, quereria sentir a escuridão humana. Provar, de forma verdadeira e sem dúvidas, o que sempre quis justificar. Não há nada de mais grotesco e feio do que a verdadeira natureza humana.

Imagine-se, o que poderia realmente absorver e aprender com tamanho desejo! Todas as justificações seriam expostas e desmistificadas. Finalmente, terminariam incontáveis séculos de falsidades. Com a alma a nú, poderia aceder ao conceito fundamental na minha miserável existência. O único e genuíno padrão que sempre foi perseguido e nunca atingido. A real noção do Bem e do Mal.

 

Também sei, sinto em cada fibra de mim, que após este desejo realizado, deixaria de ter sentido continuar a viver. Tudo se tornaria pálido perante isto.

 

Rebentaria os miolos, pois seria isto ou a insanidade sem regresso.







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