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Penso nas mortes que se anunciam, que se avistam ao longe.

Quando alguém se senta à minha frente e mete o cigarro nos lábios; depois hesita, indeciso ou absorto, acabando por guarda-lo de novo. Dentro do maço de letras vermelhas.

Também vejo como se chegam para a  frente, educadamente. Numa mesa ornamentada com os talheres obssessivamente alinhados. E olham para os copos e para o vinho. Nos olhos o desejo achatado por vergonha.

Por vezes, o poço está ali; mesmo em frente. O desejo de  saltar faísca, e no entanto vive-se. Hoje, pelo menos. Vivem.

Durante anos, retemos a faculdade de esquecer que o caminho para o abismo/morte está próximo. O tempo que decorre entre o nascimento e o fim serve apenas para alimentar os sonhos de eternidade.

 

E chego à conclusão  de que fui criado na crença de um karma. Um destino traçado. Que  existe o mal e o bem. Que o mal é exterior, é o corpo que se corrompe. Que o bem é interior, a alma. A luz. E no entanto

...

Sou um só. Apenas eu. A caminho de um fim.

Agora imaginem que me encontro nú, perante todos. Que insisto em escrever o que sinto. E que mesmo assim me estou a esvair em  sangue. Que caio, exausto, sem conseguir escrever algo que me salve ou redima. É no entanto, como me sinto. Cansado, a perder sangue e despido. À beira do colapso.


2 comentários

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Mariella 14.11.2012

favoritos! nem tenho palavras para descrever o quão gostei deste texto. escreves com sobriedade, uma imparcialidade que me choca. no entanto, adoro tudo o que tens a dizer. e vendo bem, atrás de um sorriso existem mil e uma coisas escondidas.
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Mariella 17.11.2012

fico sempre estarrecida com os teus comentários e nunca sei o que dizer, apenas agradecer. muito muito obrigada.
mudas-te de blog? ainda continuas nos blogs sapo? será que poderei saber onde fica esse teu novo mundinho?
um grande beijo.

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