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Creio que foi por volta dos 5/6  anos que me afirmaram que "os homens não choram"; a partir desta altura a noção de que os homens não choram ou não devem chorar, choveu de todos os lados. Dos pais, dos amigos e dos professores. E sei que aprendi a aceitar esta noção. Não porque achasse que estava realmente certa - ainda hoje não acho que esteja certa. Mas sei que aceitei esta noção, embora forçado, aceitei.

E a prova de que aceitei o miserável  facto de não chorar nunca, por nada, surgiu durante cada briga na escola, no liceu. Durante cada murro que recebia e dava. Durante cada desilusão que me era atirada à cara. Vencer era chegar ao fim sem chorar. Mesmo que sangrasse e tivesse feito sangrar. Se eu não chorasse, tinha vencido. Não se tratava de uma vitória moral. Para mim, chorar era admitir um sentimento de fraqueza, derrota.

 

Hoje sei  que os homens choram. Tenho visto alguns que o fazem. E não acho fraqueza ou derrota. Mas eu continuo a não o fazer. Um bloqueio mental", já me disseram. "Precisas de olhar a vida de outra maneira, chorar faz bem", oiço isto tantas  vezes. No entanto não verto uma lágrima. Mesmo no mais profundo desespero, tudo o que me desperta é a rugosidade de uma casca de noz.

A sensação mais estranha é um contrasenso: não choro para não ser fraco, mas sinto-me cruelmente frágil. Abano por todos os alicerces.


1 comentário

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Ocupadíssima 06.12.2012

Eu sinto q lavo a alma ao chorar. Se ñ chorasse já ñ sei se existiria

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