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A arte do Vazio,

 

Se algo pudesse justificar a vida, que não fosse apenas a mera razão de procriar, isso seria a procura absoluta do vazio. Não um vazio abstrato, repleto de orações e desejos pelo divino. Não a falta de doenças ou vida eterna. Antes um estado emocional onde tudo estivesse por preencher.

Por vezes, penso que este vazio, se consegue transformar em arte. Não aprendida ou ensinada. Arte que nasce com todos e que a maior parte esquece. Uma arte recordada naquele ultimo beijo, dado ao que se encontra ás portas da morte. Como se o calor do beijo, aquela despedida solene, voltasse a trazer à memória o vazio. E a forma como o podemos povoar.

 

E poder povoar o vazio, poder conter todo este vendaval de abstinência racional?

 

Ela,

por muitos dias, noites serenas de dorida desilusão, em vão pensou povoar o vazio da alma. Encolheu e cegou para a luz do mundo. O destinado aos vermes longe da luminosidade: insanidade.

A lâmina fez jorrar o sangue. A escuridão iluminou-se. O inverno passou a ter sentido. O inverno que dança em passos desenfreados.

 

Ele,

incapaz de sentir beleza em si. Por vezes, deixa que o dia seja apenas um cadáver em lenta decomposição, enquanto espera pela escuridão viva. O vácuo povoa-se com a dôr. Bruxuleante.

 


1 comentário

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Mariella 02.04.2013

a escuridão e a solidão por vezes tornam-se a nossa melhor companhia, e eu continuo sem saber se isso é bom ou não.
mais uma vez, um texto de louvar aos céus!

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