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Nota, mesmo através do fumo do cigarro recentemente aceso e que queima os lábios e arde sem proveito. Escorre as mangas da camisa amarrotada sobre os braços magros e onde moram cicatrizes conhecedoras da lâmina que sossega.

Por entre os círculos de fumo branco, os olhos estão mais tristes mas estranhamente lúcidos. A cidade parece-lhe prata e nem sequer incomoda a escuridão e até sucede um ligeiro travo a sorriso. Soa-me a paraíso! Como se estivesse à procura de um pote de prata e afinal,  tivesse em mãos ouro.

Mas talvez a real dimensão da tristeza seja apenas isto: uma morada pessoal e onde habitam sombras tão nossas! Tão pessoais. Por isso, troça do amor dos homens e rende-se ao sabor cruel da desilusão e da penitência imerecida.

Estou seco de lágrimas por ti. Incapaz de algo superior a afagar-te o rosto. Incapaz.

Cada dia de vida uma pequena estrela de esperança e que apesar de tudo não te sirvo de guia. Não, não quando tocas nas minhas cicatrizes que são a minha margem entre a realidade e tudo o que resta. Ou seja: Nada.

 


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