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Torna-se sintomático, em mim, esta vontade. Desde sempre. Sempre. Nunca me senti realmente á vontade com a falta de noção, que muitas pessoas têm, de que ter qualidades, não é propriamente a mesma coisa que ser virtuoso. Confundem-se as perspectivas. Atribuem-se qualidades a tudo e a todos. Até a um mero e disforme calhau da calçada.

Agarramos nas qualidades, que pensamos possuir, e nunca duvidamos delas. Mal ou bem, os outros podem ter as suas qualificações, mas as nossas serão sempre melhores. E mais, se querem uma demonstração dessa nossa percepção  das coisas, nunca o fazemos com suavidade. Com moderação. Não. Vem em enxurrada. Varre tudo! Porque só afogando os outros poderemos reinar. Bizarro prazer. Diga-se.

Pessoalmente, acho que as qualidades demonstradas de forma excessiva, gratuíta ou em torrente, apenas servem para desprestígio pessoal. Fica sempre um  sabor amargo no que demonstram. Algo diferente. Como se o esforço para demonstrar tanta virtude e "boa onda", fosse apenas uma capa. Para esconder exactamente o contrário do que aparentam ser. E porque razão haverá necessidade de tão veementemente defendermos as nossas qualidades? Não nos incrimina, este facto, de tentarmos esconder as nossas fraquezas exagerando as nossas virtudes?

Alguém me afirmou, que quanto mais valorizamos as nossas qualidades, menos valor temos. Como criaturas idiotas e imperfeitas que somos!

Se calhar, reside aqui, em apenas uma palavra, o cancro que deixa a humanidade em estado podre. Ostentação. Porque acaba por ser esta ostentação que governa a nossa consciência. Veja-se: julgam-se sábios, não passam de idiotas; afirmam-se humildes e caridosos, mas não passam de criaturas orgulhosas, girando na sua própria órbita; são ferozes guerreiros, dispostos a defender morais e pessoas, mas bem no fundo, são reles covardes!

Poderia permanecer aqui uma eternidade. Mas tudo se resume ao que um ateu brilhante afirmou : " Basta acrescentarmos um sinal negativo a todos os valores que se  ostentam para chegarmos àquilo que realmente são."

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E todos eles voltam a face,

Quando passas, ao largo

Porque acreditam que a tua vida

Não tem sentido!

 

Se não tem sentido,

Então porque vives?

Porque não morrer, já?

Pôr um fim a essa calamidade.

 

Numa cápsula, a tua versão,

De uma vida vida opaca, aversa

Num hospital, a nova esperança

De ser aceite. Algum dia ...

 

No branco da luz, da sala

O ódio à alvura dos dias,

Apenas a escuridão é bem recebida,

Em vida sem sentido. Sem regresso.

 

Dar-te a mão. Erguer-te.

Num mero sorriso, a felicidade de outrora

Antes de se esfumar em lágrimas,

Esmagadas por um suave soluçar.

 

Pressentes a tempestade?

Será que nunca mais pára?

Porque o esforço é por demais cruel,

Nessa vida, sem sentido.

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Aceder a uma fracção, apenas um resto, que seja, dessa vontade de tudo ultrapassar. Não voltar a carregar este peso. Esta amágalma de tristes conclusões. Ainda que por breves instantes, poderia alterar tudo! Poderia sentir a vida. Persuadir a minha consciência, de que existem outras luas. Onde me poderia esconder. Gravitando em torno da alegria das certezas  utópicas.

Mas não. Apenas destaco a margem das coisas. Vazia. Por escrever algo. Um epitáfio. Uma qualquer banalidade. Que seja coerente. Onde nunca me posso sentir coerente.

Quando pensam em abrandar a vida. Sentir os dias,  de forma solene. Paciente. Eu acelero. Sempre, mas sempre, a anticipar a próxima curva. A próxima vaga, que me derrotará. E ainda assim, vivo.

Se canto? Não sei o que dizer. Porque não sei encantar. Apenas trago as más novas. Ditando-as em sombria reverência. Falando do fim. Onde sei que chegar é apenas questão de tempo. Ou porque sei que enojo. Como moscas voando em volta do pássaro morto. Raramente se sorri, para os meus lados. E quando o faço, por norma, será por algo que passa indiferente à maioria. Como por exemplo, de quem se diz verdadeiro. De quem se acha acima de suspeitas.

A lembrança é essa faca que me corta  as veias. A recordação de abismos intransponíveis. A dor da impotência. Da incapacidade de compreender; e fazer-me entender. São as noites claras. Em solidão. No pensamento apenas o que fazer. Para sobreviver. Mais um dia. E pior: se valerá a pena.

A energia drenada por dúvidas. Paralisado por factos. Transformados em mais perguntas. Odeio-me! Nunca paro de agitar a vida!! Nunca me satisfaço com a resposta. Jamais! É um ritual a ferro e fogo. Marcas na personalidade. Cicatrizam? Eis que sim! Também matam. Lentamente.

 

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Ali estavam eles. Frente a frente. Duas criaturas existênciais. Homem e Mulher. Após dez anos de união. Separados. Olhando-se mutuamente.

E eu, sentindo-me um perfeito idiota, de mãos nos bolsos, cabeça enterrada nos ombros, observava. Porque supostamente, seria amigo de longa data dele. Mas também dela.

Ele, porque me confessara antes, ainda a amava. Não conseguia viver sem ela. Ela? Não o  sei. Não fazia a mínima ideia. Mas a verdade é que o processo estava concluído. Os cães foram lançados. Cada um para seu lado!

Eu guiara o carro. Porque ele não estava em condições. Ou se calhar, porque precisava de companhía. Eu!! Logo eu! E no entanto ....

Discutiram. Duros. Implacáveis. Sedentos de rancor! E eu só pensava - Que raio posso fazer?- sempre às voltas.

Talvez quisessem que tomasse partido. Que condenasse. Raios! Que dissesse algo!! Limitei-me a olhar. Compelido por uma letargia imbecil. Algo que me destroçava. Eu não podia defender nenhum. Isso e esta minha vontade de ficar à parte. De não pertençer a nada disto.

Olhando-a, não a reconheci. Olhos em amargura. Cabelos soltos. Sujos e sem cuidado. E como estremecia. Verdadeira frustração. Fúria.

A ele, reconheci. Derrota. Apático. Apesar de tentar justificar. Nada. Zero. Apenas dor.

Olhando ambos, num fim nunca previsto ou anunciado, mais uma vez agradeci um conselho dado há anos: "Num problema entre duas pessoas, existem sempre dois lados. É bom que oiças os dois lados." Por isso naquele dia, mesmo com o desfavor de ambos, achei que ambos tinham razão.

Um casal lindo, que eram! Diziam os mais chegados. E eu sempre a resmungar, que isso era relativo. E lá estava eu. Sentindo-me inútil. Invisível.

De todos os que lá poderiam  estar, sinistra condição, fui eu quem lá caíu!

E lembro-me, tão cruelmente claro,que  após voltarem as costas um ao outro, e ele puxando-me pelo braço, em direcção ao carro me disse entre dentes - Eu sempre pensei que o que fiz não tinha importância ...

E a miséria na sua voz. A comiseração no seu andar era tão grande, tão viva e pálpavel, que quase pensei que ele não iria sobreviver, naquela noite.

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Como é possivel, tão bela que és!

Como podes deslizar assim, noturna essência

Gratificante visão, minha visão

Possuindo-me, sem complacência.

 

A meus olhos, Tu capturas o Sol

Por apenas um sorriso, dei-te a minha alma

As chamas que ateaste, agora mordem

Agora não me sossegam.

 

Vi-te. Como sempre te vi.

Bela. Tantos anos, tanta mágoa

Ainda és minha? Ainda me aceitas.

Vi-te. Como sempre te vi, Bela.

 

Sorriste, perante o espanto.

Idiota! Pois já te vi, tantas vezes!

Mas ainda és única. Sempre única.

Para além da minha pestilência, vergo-me apenas a ti.

 

Até ao fim,

Sabes que és tudo o que sou,

Haverá maior verdade do que esta?

Porque só a ti me arrojo, humildemente sábio.

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Hoje, a propósito dos últimos quatro posts deste buraco em que escrevo, chamaram-me extremista. Alguém achou que me poderia aborrecer. Usando a respectiva palavra, de forma orgulhosa, como uma terrível arma de arremeso, pensou desconjuntar a minha forma de ser.

Reconheço. Das "viagens" que faço por alguns blogs, tentando encontrar algo de útil para a minha existência, muita raras são as vezes que esboço um sorriso, sequer. Existem, pequenos nichos de verdadeira arte! Onde me sinto interessado e absorto. A esses volto com assíduidade. Ler é um prazer. Ajuda a passar as horas.

Mas a maioria, não passa do habitual. Politicamente correctos. Nunca discordantes. Recheados de amizades e bom senso. Por isso, noto com  maior frequência, de como começo a destoar. O facto de me chamarem extremista, revela-se assim, um elogio colossal! Sei que sou diferente. Porque o que escrevo é pessoal. Meu. Experiências que destilo e pouco me importa que gostem. Ou não. Assim, o meu "extremismo" não deixa sossegar a quem me lê. "Ateu", "herege", "monstro", "vil", "extremista", "pecador"... são apenas alguns dos elogios que me são atirados, desde que abri este blog.

Não deixa de me espantar. Claro. E, já agora, sentir-me bem. Coisa que bem preciso. Extremista por escrever como escrevo? Por falar do que falo?  Por rebater sistemáticamente, o valor do amor?  Ou porque me estou pouco importando com comentários ou aplausos?

Porque razão, raramente leio  sobre o ódio? A raiva? Será porque é feio? Ou não são emoções humanas? Se calhar eu é que me engano: são emoções de seres inferiores. Extremistas.

Se ser extremista é ser incómodo. É ser anormal. Diferente. Encontrei o meu caminho!

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Assistir, impávido e sereno

Ao fim.

Morte assistida. Exorcisada. Final.

Por vontade, assim seja.

Morte. Sem fome. Sem peste.

Um fim. Absoluto. Real.

Porque nada é eterno. Apenas um sinal.

Sem paraíso. Sem inferno. Nada.

Serena trova, a Morte.

Tão esquecido. Tão desiludido. Mortal.

Que até no entardecer da vida, seja doloroso.

Poder olhar o céu. Uma última vez. Que é tarde.

Ver o vazio. Sem vida. Uma quimera. Amarga quimera.

Morte. Onde posso repousar. Pôr um fim a este resto de permanência.

Jazendo. Sem sentido.

Finalmente sabendo. O fim é mesmo o fim.

Não se abrem portões de ouro. Não se ilumina o corredor.

... Acabou.

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Deixar que festeje uma nova vitória,

Por minhas mãos aniquilo a desdita desilusão,

Não por cânticos ou vivas,

Mas por sórdida guerra, ao destino.

 

Destino que me foi dado, antecipado

Na minha alma encontrei as armas,

O arco e a flecha, o veneno

Para romper a monotonía da existência.

 

Parto em guerra,

Cravando no braço, a marca

O símbolo da minha agonia,

Apenas desfeita por certezas amargas.

 

Contra inóspitas consciências,

Pisando solo e em espera

Jamais arrependido,

Sem que o remorso me espere.

 

Horrível criatura, cresci

Afogado em guerras minhas

Sob maldito signo,

Chego à minha salvação.

 

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Por meu orgulho e apenas meu,

a minha decadência.

Pelo meu cheiro e apenas meu,

a muralha que me sustém.

Por minhas desvirtudes,

retiro a moral, a existência.

Pela procura do Nada, esse Nada

encontro a fonte de purga.

Pelo meu amor e apenas meu,

sacrificarei tudo o mais, sem piedade.

Por minhas pragas, maldição

caminho para a razão, glória.

Por uma breve verdade, porque real

a minha miserável existência.

Porque me acompanhas, senhora de mim

não voltarei a este vazio.

Por minha arrogância e apenas minha,

condenado a vaguear estou.

Caçando a tempestade, mortificado,

Cravando a sede deste momento,

em austero e auspicioso recomeço.

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