Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

Acordar cedo não ajuda. Não quando me sento em frente à televisão. Supostamente, tal não deveria acontecer. Vejo pouca televisão. Não porque me force a tal, mas porque é perfeitamente natural que o faça.

Sou de extremos, concordo. Sou capaz de me deitar e dormir 14 horas a fio, em sono pesado e de aparente morte. Como consigo deitar a cabeça na almofada, fechar os olhos por 3  horas e despertar perfeitamente alerta. Embora quase sempre exausto fisicamente. Mas desperto, mentalmente. Gosto de puxar os meus gatos para junto de mim. Não abro janelas ou afasto cortinas. A claridade da manhã dá-me dores de cabeça. Um felino salta para o meu colo. O outro gosta de se enrolar á volta do meu pescoço ( a sério!). Normalmente, permaneço em silêncio, ouvindo o ronronar deles. Mas por vezes, por suprema e inexplicável burrice, ligo a TV. Não sei porque o faço aquelas horas. E porque o faço, directamente para os canais nacionais!

 

Há um em particular que debita a partir  de uma certa hora lixo atrozmente indigesto. Coloca uma criatura amorfa e de translúcida cretinice a atirar cartas para cima de uma mesa. Normalmente vestida de forma provocante, mas que em vez de lhe  dar um encanto sensual e interessante, a torna grotesca e sem jeito, esta senhora pretende advinhar astros e outras bestialidades. Tudo com o ar mais simplório do mundo! Sim, porque é para cretinos e parolos que fala. E deita os cartões na mesa. E já agora, para os idiotas como eu que por acidente ligam o respectivo canal e observam, incrédulos, por alguns minutos. Demasiados, entenda-se.

Não vou sequer, destacar o quanto inútil e falso tal arte de  deitar cartas é. Nem sequer porque se continua ainda a dar crédito a tais aberrações. O que me faz odiar em particular esta criatura  e a sua falta de talento para fazer outra coisa, é o simples facto de lucrar com  esta farsa. Odeio-a, de forma particularmente raivosa. Olho para ela e dá-me vómitos. Não vou prolongar-me sobre o que sinto, correria o risto de ser puramente sádico.

 

O pior, o cancro maligno, a peste imunda, reside na presença de pessoas. Que telefonam - fazendo a respectiva estação lucrar - e mediante aprovação da dita senhora, lá vão espalhar ao mundo as suas desgraças. São desgraçadas, vítimas de traições, amarrações e ruínas. Presumo que uma de  duas opções serão reais : ou vão lá porque recebem dinheiro para assim fazerem o seu papel de jumentos taciturnos e desgraçados. Ou por outro lado ( aqui prefiro nem imaginar!) são de facto crentes. Estupidamente crentes! O que torna a questão realmente interessante. Não me interessa a tolerância. É ignorância absurda. É imbecilidade ilimitada dar lucro, tempo de antena e crédito a uma impostora. Sempre com a benigna conversa da mesma. Com a mesma sinistra e falsa compaixão.  É ser palhaço num reles circo, que ainda mais degrada a pessoa. É como olhar para um monumento à estupidez em pleno século 21! Dá vontade de rasgar estas ovelhas à dentada!

É certo e sabido, a grande maioria das criaturas humanas não evoluiu mentalmente desde a idade média. A analogia entre o burro e a cenoura é perfeita. Terrivel destino. Cruel ignorância.

 

Resta-me o secreto e sádico prazer de que este será mais um pedaço de lixo que não durará. Depressa será esquecido e regressará ao seu verdadeiro estado. Excremento.

 

" This is a life-long struggle for survival.
There's nothing glorious about it. Nor is there hate, nor honour.
Such things have little meaning when the choice is between feeding and death.
And you know that is no choice at all."

 

Pensamentos ao acaso ...

 

Inutilidades, preocupações tão banais como o que irão pensar os outros da minha vida. Tão inúteis como tentar perceber o que me reserva o pensamento alheio. Não me é possivel fechar a minha consciência ao exterior. Não consigo afastar-me do contacto humano. Mas é possivel evitar certos caminhos. Perceber o quanto idiota se torna escutar certas pessoas. Destroçar certos argumentos e conscientemente saber, quão inútil é tentar que percebam que o passado ficou enterrado. Não há volta a dar. Amor para sentir. Nem sequer vontade de recordar que algo de bom existiu, nesse passado. Se é que realmente existiu algo de verdadeiramente bom, interrogo-me ...

 

Tábua rasa, conscientemente ou não, a mania das grandezas deixa certas pessoas em descuido mental. Um pouco como entrar numa sala carregada de objectos, completamente obstruída por artefactos que não são realmente importantes, mas que servem "para nos fazer sentir em casa". A sensação de sufoco é imediata, apenas não é percepcionada por estas pessoas.

Afirmar as nossas qualidades não me parece errado - se não formos nós a faze-lo, quem será?- mas fazê-lo  enquanto censuramos os outros, porque fazem o mesmo, é meramente idiota. Mas parece que é mais fácil criticar os outros, que são sempre piores. Nada do fazem é justificado. Somos nós sempre, quem tem a razão. Um marasmo mental. Não consigo aprender nada de realmente válido, com estas gentes.

 

Educação, pedimos licença para tudo. Pedimos desculpa em tudo. Sacrificamos a nossa estabilidade para agradar. Podem até, escarrar-nos na cara, que preferimos ser educados e encolher os ombros. Pode ser que noutra altura possamos responder.

Temos a educação de deixar passar, quando não nos convém. Queremos agradar. Pena é que educação seja confundida com atropelo. Pena é que para que exista educação, alguém tenha sempre de ceder. Ceder e amargurar.

Tags:

 

Linhas de batalha ...

 

 

De um mero ponto de vista de quem ganha ou perde, lamentávelmente, a maior parte das vezes encaramos o facto em relação aos outros. Ou seja, ganhamos ou perdemos em função de um elemento exterior. Pode ser outra criatura como nós, pode ser um qualquer objecto. Um calhau serve muitas vezes para satisfazer a nossa sede de vitória. Tudo serve de desculpa para esconder a maior das batalhas que enfrentamos. A pior guerra, a mais devastadora batalha é interior. Não tem realmente canhões ou metralhadoras. É muitas vezes uma guerra invisivel. Silenciosa. Sem o aparato de outras guerras. E, pior do que qualquer outra batalha, não tem descanso. Não tem tréguas ou quarteis. Zero! Nada.

 

Somos a nossa própria ruína. Perdemos tanto como ganhamos, porque concedemos algo que é realmente nosso. Por isso, somos nós mesmos a ficar entre os destroços.

É mais fácil quantificar perdas numa guerra contra outros. Torna-se mais aceitável, olhar para as baixas alheias com indiferença. Mas se somos nós contra nós, se sou eu contra eu mesmo, a semelhança a um campo de batalha carbonizado onde jamais crescerá algo, não ficará muito longe da cruel realidade.

Tags:

 

Um último vestígio da velha alegria ...

 

... penhorar o que resta de uma miserável existência para que se mude um destino já traçado. Por estranhos caminhos, percorrer de novo aquela floresta onde me perdi. E só comecei a desvanecer-me quando encontrei a saída. Não antes.

Lembras-te? Antes brincámos nessa floresta. Debaixo das sombras daquelas árvores imensas. Já posso recordar-me do som do meu riso. Que hoje se tornou silencioso. E não foram plantadas novas sementes, nem sequer pensei nisso. Apenas foram arrancadas do solo, por mãos agrestes à alegria da gargalhada.

 

... garra e canino. Tão cravados na pele! Tão fortes na sua prisão. Tão solenes na sua devota tortura.

Não vale a pena tentar um regresso a nada. Porque cresci e padeço de descrença. E não consigo fingir alegria. Prefiro não olhar. Não pretendo essa mentira. Nem mentir a mim próprio.

 

 

Tags:

Como pode um cego ensinar o caminho? Remeto antes a questão a quem se julga livre. Porque hoje a revelação já não me importa.
Assim, sei que sobrevivo. Sei que posso, ainda viver mais um pouco.
Não vejo muito mais do que a solução de fechar os olhos a uma certa aura, uma leve brisa e poder aspirar a outra coisa.
Mas sangro. Muito. Ninguém o pode impedir, nem sequer quem me ampara a figura. Sangro. Que sirva para me afirmar vivo. Não apenas uma concha de carne e osso.
Rejeição. Flagrante. Nos meus olhos. No espelho.
Talvez sejam os últimos passos que dou. Tentando ficar firme. Precisando sempre de uma mão. Uma guia, que a noite tornou-se nefasta!
Um braço dormente. Igualmente maculado. Estranhamente estético ...
Por vezes cresço, tanto. Cresço até não me conseguir conter nas fronteiras deste corpo. É uma revelação. Ali! Junto a ti! Para depressa encolher. De novo. Como sempre.
Não gosto de mim, assim. É como arrastar um fardo. Custa demasiado, vasculhar para encontrar aquele orgulho que me ergue. Odeio-me,assim. Sem vontade. Sem noção de que me estou a matar, lentamente.

 

 

Alguém,

passou e não fechou a porta, assim apenas restou a aragem da noite

 

Alguém,

não desejou beijar-te, apenas passar através do teu corpo, em extâse profanado

 

Alguém,

sorriu da sombra, nada querendo, mas uma exaltação áspera, uma fugaz chama de esperança

 

Alguém,

perdeu a esperança, afogando a mágoa em ódio fogoso

 

Alguém,

partilhou uma réstia de sanidade, perecendo depois, sem um lamento, uma lágrima

 

Alguém,

sonhou alto e em bom som, finalmente rendido a uma doce melodia, suave melodia

 

Alguém,

ouviu o bater de asas,  escutou um  poema da escuridão e na sombra, uma vez mais ... sorriu.

Todos os dias percebo e infelizmente tenho de aceitar,  que nem tudo é o que parece ...

 

 

 

Pensamentos bizarros ...

 

" Um caminho astral para a suprema libertação,

 

Longe, bem longe na noite,

nasceu um novo caminho

estrelas formaram esse caminho, libertando-me

voando com a minha alma, num fogo cósmico

desaparecendo num céu carregado de noites imensas ...

 

Sonhei com um reino

onde somos apenas pó

e nuvens venenosas são o que respiramos

são o doce ar da vida ...

 

Viajei por túneis que são asas transparentes de morte

e as luas cantadas e amadas de outrora,

eram sarcófagos voadores, onde se enterravam as esperanças dos tolos videntes ...

 

Cantei, rouco e louco ao negro mar cósmico

para que abrisse o meu caminho, em majestade

mas era apenas um universo infinito

silencioso como a morte, num caixão

permaneci para descansar ...

 

Astros,

guias para a liberdade que me era devida

desfeito em pó,

finalmente livre onde assim deveria ser

... entre a poeira astral do universo."

 

 

Tags:

 

Pensamentos ao acaso ...

 

Felicidade, se tanto se procura a felicidade, se tanto tentam ser felizes, porque razão se tornam tão infelizes? Onde reside esta estranha peste, que amplia a necessidade de sorrir com dias de choro? Não interessa o que se faz à alma. Qualquer preço se paga. Compensando depois, com mais receitas e mais medicação. Se calhar é demasiado cruel dominar certas certezas. Talvez seja melhor deitar a cabeça na almofada da ignorância, em dias de franca demostração da incapacidade de sermos realmente felizes. Escolher encolher a realidade. Continuar a correr para um sonho. Seja, já vi que isso deve trazer felicidade. Ainda que maculada e manca.

 

Canção, sou surdo, não consigo ouvir certas canções. Culpa minha, apesar de tudo. Porque sou de sonhos loucos, não consigo ouvir certas canções. A solidão tem disto, ficamos mais atentos a certas canções. Apenas a algumas, e aprendemos a comê-las lentamente. Porque são raras e iguais ao nosso próprio canto. Tudo o resto se desvanece. É desperdiçar um tempo que é cada vez mais curto. E já me encantei muitas vezes. Quem assim me encanta, não grita, segreda-me.

 

Distância, basta que fiques ao alcance do meu braço. Apenas é necessário que me deixes abraçar-te. Preciso apenas do teu cheiro e da tua respiração. Não são urgentes, as palavras. Nem tentar pensar saídas. Pouco quero saber. Fica apenas a esta distância. Um passo e chego a ti. É absolutamente verdade: se nessa condição, subitamente o meu coração parar, não te preocupes, morro realmente feliz. Sem remorsos.

 







topo | Blogs

Layout - Gaffe