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" Legião ..."

 

 

De toda a retórica ouvida por estes dias, creio que perdoar seja a palavra mais expressiva; muito mais do que perdoar, aceitar tolerando, é o mais profundamente espezinhado. Toleramos o político deprimente e corrupto com apenas um encolher de ombros, aceitando que seja uma inevitabilidade inatacável. Entre os afagos de muita gente recusamos admitir a nossa fraqueza e impossibilidade de encontrar uma saída.

 

Não existem palavras para explicar o quanto acho errado este lado infantil e sentimental da maioria das pessoas; como tudo isso se converte num veneno que mata com a serenidade dos que gostam da morte paciente. Sempre mas sempre com aquele trémulo arvorar de um mundo que deveria ser plural. E sempre mas sempre preenchendo os dias com as queixas, manifestações e campanhas que nada salvam ou modificam.

 

Sou um cínico não por natureza mas por defeito. Não acredito na bondade da maior parte das pessoas e nas suas palavras. Alguém, de hábitos enraizados, gosta de me chamar individualista cru e no entanto poucos são os que me conseguem justificar o amar perante certas dores e nódoas negras. Não existe ainda, ninguém que me tenha convencido a tolerar diante de factos consumados.

 

Ou porque será mais profícuo ter mais gente em detrimento de apenas uns poucos.

 

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Caro Barrasco,

 

 

Devo, desde logo, dizer que o odeio!

 

Representando as ambivalências da realidade, pormenor que tanto me fascina, ressinto imenso a sua atitude. Creio que o que mais me molesta é a realidade nua e crua e a negação da existência de qualquer elite neste país; sois a própria imagem de uma dura constatação, julgar não é pertencer a qualquer elite.

 

Sinto-me embaraçado com o seu julgamento, não apenas porque esteja implantado em lirismos escrevinhados por pastores do deserto que, como decerto deveria ser por si entendido, estariam sempre sujeitos a certas trapaças solares e respectivos delírios; a minha vergonha agride-me de forma particularmente cruel, quando constato a metastização da sua cultura, obstrução mental e lógica visceralmente inferior ao mais rijo dos muros do seu tribunal.

 

Envergonha-me, a sua arrogância de magnânima parolice cega em plena idade das trevas. Perfeitamente ciente do manual de queima da sua santa inquisição. Porque sabe, tenho um imenso orgulho da minha condição de homem. Coisa minha, claro. Mas o seu julgamento coloca todos os outros homens na mesma condição, algo que me irrita solenemente! Fui ensinado por uma Senhora a não aceitar de bom grado a merda de ninguém; lido com a minha merda e tento desesperadamente não espargir os outros. Por isso me custa, caro barrasco, que pela merda de uns paguem os outros. Egoísmo meu.

 

Odeio-o, realmente e sem sequer o conhecer. Mas também não conheço a peste Bubónica ou o que terá comido para ter tamanha ignorância e nem por isso deixo de odiar. Mas principalmente, no topo de qualquer outra razão, odeio-o porque sou forçado a dar razão a quem olha de soslaio os homens. Aqui, meu caro, custa-me horrores! Dar razão e sem conseguir contestar uma merda que seja!

 

Porque estão cobertos de razão e eu sou forçado a aceitar e calar.

 

Feche os olhos e tente não acordar.

 

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"Hippárchia"

 

...

 

 

 

Entre todas as palavras que troquei com ela, algumas decidi reter. Foi como se falasse comigo próprio e em frente a um espelho. Como pode ser descrito o inexplicável? A sensação que percorre o centro das costas nuas e como uma amante caprichosa, aperta a nuca rígida.

 

Mas retive algo desconfortavelmente sereno como quem observa um qualquer padrão e sabe, pressentindo, o que vai acontecer. Onde cada pensamento foi antecipado. Sempre com a benevolência e sorriso matreiro de quem conhece; já percorreu este caminho.

 

A falta de crença em deuses acaba por respirar, ainda assim, uma outra religiosidade; desvenda-se todos os dias: mesmo quem se acha no meio de nada, ateu, sem nunca o ter exigido, tem fé. Ou então, algo semelhante a uma crença, mesmo que em princípios diferentes.

 

E foi espantosa a sua capacidade, ao conseguir retirar peso a palavras e acções. De frente a ideias políticas, sombras ideológicas, ocasiões e as medidas, não existe muito mais valor do que aquele som dos pneus de uma bicicleta a esmagarem as folhas secas que escutei horas antes.

 

Nada retive de filosoficamente épico; se calhar revelador da pedra filosofal e alquimia suprema.

 

Retive a palavra e expressão de quem está inundado.

 

Como justificar a raiva e a impotência perante alguém que revela uma total ausência de vazio?

 

Maldição!

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" A gate to be forced by the somber nobility"

 

...

 

 

Existe um preço a pagar quando o caminho seguido não é o que foi planeado na nossa infância. Quando as tardes eram amenas e era possível ambicionar um destino para a criança em crescimento. É como desejar que todo o caminho seja percorrido debaixo de um sol suave e de destinos seguros. Onde não corram ventos agrestes e que nos fustiguem o espírito. 

 

Em vez disto, talvez tivesse mais senso, desta paz em antecipação a um horizonte cristalino, a escolha caiu no meio da Tundra e dos seus silêncios sepulcrais que nos lembram o dormir dos Invernos mais brancos. Em vez de tudo o resto, o caminho tem sido escolhido pela partilha da distância e quando se reúnem as pessoas partilham-se fogos e calores; deixamos que cresçam barbas longas para que a face permaneça quente e os pelos tornam-se pálidos porque o gelo queima.

 

Partilhamos a música que tantas vezes é um espelho taciturno das noites que habitam estes locais por meses e entendemos a escuridão; que se torna a nossa mãe e nos transforma em algo diferente, tão oposto ao que foi imaginado nos dias e noites amenas da nossa infância.

 

Lamento genuinamente a desilusão nas faces incrédulas. Do sangue que já não verte dos meus braços porque encontrei refúgio nos nevões e nas rajadas de vento que assobiam a sua balada entre os picos gelados e as árvores inchadas pela neve.

 

Lamento.

 

Porque há tanto para ver e sentir. Tanto para saborear nos dias curtos, em noites de olhos brilhantes e cabelos longos. Imenso no companheirismo dos que conseguem ver o que eu sinto e vejo. Quando a exaustão se refaz com um brinde e o desejo que se repita.

 

Lamento. 

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Jamais deixará de me espantar como reagem as pessoas perante a rejeição. Como reagem perante a indiferença e como se esforçam para serem notadas. Mesmo que eu despreze nunca sou esquecido. E sei que estou bem aconchegado em certos corações de reputada virtude. Porque existem venenos que não se dispensam; por mais mal que causem.

 

*  Pequeno laivo, parafuso essencial na rasteira e rudimentar estrutura mental alheia, sempre necessário ao evoluir sereno:

 

- Embora, no campo estritamente biológico, o conceito de "raças" se esteja a tornar obsoleto e disto já eu sabia, o uso do respectivo conceito acima é plenamente justificado como realidade SOCIAL E POLÍTICA, usando assim o termo "raças" como elemento de construção sociológica e categoria social  que em tantas e tantas vezes desta ingrata vida, permite empregar denominações a todas as criaturas e pior, justificar exclusões ( racismo, xenofobia, homofobia ... etc!); precisamente o que o Fleuma pretendia afirmar.

 

Erro meu assumido, pois deveria ter sido mais especifico e não esquecer as  limitações alheias.

 

Canso-me.

 

 

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* Blefaroespasmo ... *

 

 

Fala-me dos rios onde molhou os pés; foram tantos que deixou as memórias afogadas. Apenas tem a necessidade de contar sobre as correntes frias ou amenas. Despertar pelas ondas desfeitas contra as pernas cansadas em frente ao mar; enquanto escuta o gelo a respingar e a rachar.

 

A mente não é pequena. É um abismo imenso. Uma constelação onde se agrupam os livros lidos por uma eternidade desarrumada e suja pelos sorrisos e instantes onde a relva era mais verde, as luzes mais brilhantes. Mesmo as noites eram menos serenas mas mais maravilhosas em pontos brilhantes a descobrir.

 

O mundo parou. Sombras sem pele ou rosto. Quando o passeio era feito de mãos dadas, quentes em afago, contra o frio das tardes. A realidade era transparente, moldada nos rostos conhecidos.

 

O mundo avançou. Peço uma descrição dela. Não do mar ou rios que conheceu.

 

" Foi quando a vi pela primeira vez que realmente entendi a palavra paixão. Antes pensava saber o que era amar."

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 "Por que não deveria eu odiar os meus inimigos, se os "amasse" teria eu a sua piedade ?", Anton LaVey

 

Não consigo entender porque razão se queixam as pessoas da sociedade em que vivemos. A sério! Nem consigo conceber porque acto de maligna contrição as criaturas pensantes deste planeta se arrogam o direito soberano de criticar este nosso modo de viver!

 

Porque vivemos numa sociedade, plano de existência tão criativo, que no mínimo transborda de requintes hilariantes. Razão mais do que suficiente para sorrir e abrir os braços ao mundo que nos rodeia. Tanto e tanto que existe por explorar e conhecer; enquanto vamos desbravando os novos caminhos da justiça social, do falso mito do privilégio branco ou do feminismo imbecil disfarçando as pedradas ao macho com as sequelas do assédio e da misoginia ( Cristo em pulgas! Como adoro estas teorias tão sólidas...).

 

A alegria deveria ser a rodos neste nosso lugar de vida. Agora então, que o cristianismo está morto, podemos assim espancar o moribundo das convicções sem qualquer receio. É mister, no entanto, que o islamismo não seja sequer olhado! Aqui é um caso diferente, que esta é uma religião de paz e para mal dos nossos pecados, atentados não chegam para defender o contrário!

 

Amo desmedidamente este nosso antro de imundice e covardia, sinceramente. O nosso papaguear de igualdade para todos; a superprotecção que transforma as crianças em adultos caprichosos, preguiçosos e cretinos até à medula; a critica sistemática ao modo de vida ocidental por medrosos que não dispõem da coragem necessária para se mudarem, deixando o seu conforto e liberdade de expressão para trás. Como seriam dias esclarecedores para a mente tão preocupada com a injustiça e o racismo desfrutar de uma sharia sempre tão presente! Um apedrejar aqui, por um rosto destapado ou um olhar para outro lado; um atirar de ácido acolá, entre uns belos açoites, ficaria sempre bem a quem cresceu no vil ocidente e o nojo que são os seus homens.

 

Não importam as raças. Importam os dogmas e a imposição forçada com base em religiões. Este doce mundo degenera o cristianismo em agonia. Mas treme de medo porque tem memória colectiva e muito ancestral! Sabe que nada mudou. Quem agora mata em nome de deus tem apenas outro nome. Porque o modo de pensar e agir é o mesmo da idade média; quando se queimavam mulheres pelo mero acto de existir e se decapitavam os descrentes.

 

 

 

 

 

 

 

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foto: Leff Jeffries

 

 

Se repararmos bem, existe quem viva para desafiar impossíveis. Quem transporte na expressão a falta de paz perante impossibilidades. Existem os que ouvem o segredar de impossibilidades de vida, tangências e silêncios forçados na expressão. Muitas são as vezes que, no agitar dos dias, se tornam diferentes; como barcos ancorados no seu próprio oceano. Mar dentro de sal e areia.

 

E não é possível esconder este desafio ao impossível. Não existe um rosto de olhares igual ao de quem sabe o que é uma impossibilidade e ainda assim mesmo, luta. Porque são sombras e também luz fina. Não apenas escuridão que oprime, mas recortes de luz ténue e silêncios de uma tirania distante. Tão longínqua como as lágrimas que não vertem.

 

Creio firmemente nas palavras dos rostos impossíveis, porque se dissolvem nas terras e nas casas. E camas. E rezas silenciosas. Quem mergulha profundamente na separação e esquecimento, mesmo assim afirmando "nunca esquecerei". 

 

E se repararmos bem, com olhos finos de atenção, poderemos ver claro como na luz do dia que o mundo, perante os que lutam contra o impossível, apenas continua a imitar os seus movimentos. Os seus gestos e eclipses são a fonte deste mundo. Por baixo de tudo, mesmo sem palavras que o justifiquem, seria insuportável para mim viver sem esta ideia de luta contra impossibilidades. De conseguir misturar-me com eles, nem que seja em pensamentos. 

 

Eu tenho essa certeza.

 

 

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