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Tenho tanto para te contar!

E tão pouco tempo ...

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Suponho que as histórias sejam isso mesmo: são como pessoas, pássaros, canções sobre corações humanos... e sonhos. Pensamentos frágeis que, demasiadas vezes, não duram muito mais do que algumas palavras escritas. Ou então, penso que as histórias são palavras atiradas ao céu, pontuadas por sons, abstracções invisíveis, por isso tão quebradiças - capazes de me afogar em saudade - vou tentando que não fujam de mim uma vez contadas. 

Algumas histórias, pequenas, simples. quase etéreas, raras, contam outras existências, acreditam em milagres, verbalizam monstros e maravilhas tão sinuosas como olhares nocturnos ou pensamentos cintilantes que, gosto de pensar, irão ficar para além da existência do mortal comum. 

Apaixono-me por monstros de todas as formas e tamanhos. Alguns são terríveis! Outros assemelham-se a pessoas, e sonham com os dias longínquos em que pareciam assustar pela sua mera respiração. São os que vão curando as suas ilusões numa imparável decrepitude. 

Ah! ...

Mas são as histórias de monstros, invulgares e extraordinários, que mais acendem a minha paixão! Às vezes são coisas aparentes: criaturas quase transparentes e improváveis, monstros que as outras criaturas deviam temer e por pura arrogância e estupidez, não temem. E nada se torna mais apaixonante do que testemunhar a experiência que demonstra, categórica, a inutilidade de uma história de monstros arrogantemente estúpidos.

E então?...

Então, é tórrida a minha paixão por monstros, que por vezes, criam a verdadeira arte, porque enchem muitos lugares vazios da minha vida. Não todos. Mas alguns. Isso importa.

(999)

 

"O encontro de duas personalidades assemelha-se ao contacto de duas substâncias químicas: se alguma reacção ocorre, ambos sofrem uma transformação." - Carl Jung

 

O desvelo contido é uma mão que se estende para auxiliar os cegos entre as paredes dos labirintos. Uma arte que, em escassas criaturas, nasceu logo no primeiro respirar, e nunca mais abandonará  a sua existência. Assenta nela como uma coroação, e se não formos estupidamente ignorantes, é possível notar um brilho de luz no meio da tempestade. Por vezes, parece desvanecer-se como os sonhos ao acordar. Mas não: às vezes esconde-se, tímida, como quem se envergonha de uma virtude sua e que a maioria não tem. Envergonhada, cruza os braços junto ao peito, como se merecedora de uma qualquer punição.

E são estas estranhas criaturas que, secretamente, também amam as sombras e conseguem nadar entre elas, como se  fossem, afinal, parte desse mundo, despertando os sonhos e os desejos mais contidos; escondendo as horas que matam, em lugares encantados - apenas seus. É inefável a beleza dos olhos abertos destes bizarros seres - insistem na esperança! Confiam em fantasmas. Confiam em sonhos. Estranhamente... parecem confiar nessa coisa a que chamam coração, como uma bússola de sentimentos, e não apenas um órgão que bate para a vida. São a irritante frustração dos cínicos insolentes, porque, entre os esconderijos reclinados do seu desvelo, afirmam que o poder do nosso Inferno existe apenas porque os seus prisioneiros insistem em sonhar com o Paraíso.

Gosto destas criaturas. Tão diferentes de mim. Tão fascinantes na sua capacidade de esperança.

 

 

 

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Que estranha é esta sensação de alivio quando o silêncio se transforma num colosso! Quando o céu se adorna de mantos cinza e cobre. E chumbo. Quando a escuridão, voluptuosa, abraça os mares prateados e as encostas geladas. É como se um desígnio fosse finalmente quebrado e a tempestade de gelo na montanha distante - mas tão perto! -, cavalgando entre os ventos agrestes do Norte, uivando, livre, na imensidão daquele firmamento, fosse um prelúdio desde sempre anunciado. Cintilam os olhos, enquanto o coração bate selvagem nos fjords,  naqueles preciosos instantes em que a alma deixa de ser nossa, são outras as luzes que se acendem.

Não falam de medos mas de força e superação. E entre tanta grandeza e perante a nossa mesquinha dimensão, sussurram ainda assim, entre o clamor das tempestades, algo tão suave e tão gigantesco: um Amor, que primeiro nasce em nós pequeno e primordial,  desprotegido e quase sem respirar, saído de um purgatório que parecia não ter fim. Um amor inconfessado,  sem donos e amantes. Nosso. Salival e egoísta - mas tão portentosamente sublime porque vai crescendo tão dolorosamente! Um preceito que nos vence e alimenta aquele fogo do orgulho, enquanto vamos sendo arrancados do chão.

Não sei como o explicar de outra forma.

Talvez porque seja necessário sentir este Amor como um egoísta faminto. Talvez porque só na condição hedonista este se  revele. 

Não consigo explicar como é que algo tão seminal seja acordado do seu torpor por uma Terra e outras Gentes!

Procurei uma resposta para este Amor, que se arrastou de fragilidades e fraquezas, e continua a ameaçar afogar-me nos seus braços. E sei onde está essa resposta. Desconheço apenas onde encontrar a Chave da fechadura.

 

 

 

 

Gosto de seguir pelos teus atalhos, e pelas tuas cores; porque tens  mais alegria do que eu. Porque se revela, para mim, muitas vezes, primordial esticar a minha mão e deixar que se afogue em universos mais coloridos, como se fossem abrigos de tormentas. Luzes de aviso para o abismo. E posso muito bem ser eu a tua companhia - mesmo com esta eterna compulsão pelo que é negro e cinzento. Poderia embalar a tua insónia pela noite, apenas por sombras, entre a escuridão arqueada: bela e única!

Mas não.  

Por vezes, sinto-te próxima. Frágil e murmurante por labirintos e cores. De outras cores. Aquelas que usas pelo esquisso do teu pulso, tantas vezes em esforço para que os dias não terminem na indiferença. Então, é mais fácil para mim pressentir os caminhos onde cresces, onde batem ventos - às vezes inquietos, outras, estranhamente serenos -,  oiço o que cantas, mesmo no tamborilar esguio das palavras, mesmo não crescendo em arco-íris, as tuas cores são outras. Sabes, isso é meu conhecimento, esse amado sabor Satânico, venerado de lábios cerrados e olhos imensos.

Mesmo que um dia o esquecimento rasgue essas cores - finalmente, tudo encerrado -  o que eu deixarei permanecer será uma outra voz, mais iluminada,  quase um trinar claro, que conseguiu, por instantes, ausentar as sombras e as cinzas.

 

 




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