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Creio firmemente que é ali que eu pertenço.
Entre aquelas paredes e tão próximo da floresta e da montanha: sei que se eu esticar os braços posso tocar em ramos ou desaparecer na névoa matinal.
Posso finalmente dizer que a Casa é minha. Minha!
Há em mim aquele estranho misto de arrogância triunfal dos que vencem uma longa e árdua batalha feita de espera, paciência e frustração do que é negado. Há em mim uma torrente que não consigo trancar, uma espécie de alegria, verdadeira alegria, como poucas vezes me consome e se transforma em paixão cega. Um realizar férreo e sem duvidar de que me pertence. Enfim! Um lugar onde sinto que realmente pertenço.
Finalmente.
Não tenho estado só durante estes anos de caminho e desejo de pertença. Mas nenhuma criatura o desejou mais do que eu. Ninguém se afogou na insónia com os olhos nesta Casa como eu. Ninguém caminhou nesta floresta ou entre as pedras desta montanha gelada que a abraçam numa espécie de consciência alterada e sonhadora como eu.
Ninguém!
Por isso agora escrevo sobre pertencer-lhe e por isto me sinto em paz dentro dela. Posso dizer que é minha. Trabalhada por mim e em mim, com aquela alquimia que parece consumir quem constrói e redefine algo. Passo a passo e incapaz de se arrepender. Esta alegria que turva os meus sentidos por estes tempos é insubmissa. Porque acredito que uma Casa é a imagem de quem nela habita, por todos os pormenores, sombras e silêncios, por todos os seus ângulos e rasgos de luz, esta é verdadeiramente a minha expressão pessoal.
O meu mundo de descanso quando regressar de caminhar.
Tanto por dizer e tão pouca lucidez para o pensar!
(Fleuma)
Tradução:
"Ice and fire, where wounds combine, the mountain lives within her cry. Blue sky, blood on snow, Skaði walks, her fate she knows.
Skaði, daughter of Þjazi, skating on stars in the night sky. Cold is her heart’s domain, yet beauty dwells in death’s refrain
She laughs not, unless storms arise, in deep valleys, her spirit lies. Njǫrðr called, the sea-born son, but her soul belonged to the mountain’s song.
The wolf howls through the frozen night, she answers with wind and blinding white. Snow falls upon her trail, the world freezes in her tale.
Skaði, goddess of the snows, blood in the northern wind still flows. Three moons burn blue in northern flame, she dances where none may claim."

É esse pulsar intrínseco das "tuas" palavras que afasta o meu esquecimento. Uma espécie de memória a guardar antes daquele leve torpor de um estado e sono descansado. Carregam sempre aquele sabor a melancolia controlada, quase escurecida entre tantos pensamentos. Essa é ainda uma virtude que reconheço nelas: não são escritas em raiva ou ódio; e nos dias de chuva torrencial e nas noites geladas são quase um abraço ansioso.
Essa é uma realidade para mim: gostar de regressar a ti. Juntar-me à tua melancolia de chuva cinza e dias escuros de Outono. Sei que te apaixonas por esse réquiem de ventos distantes e solidão que nos traz paz e regressos.
Sei.
E se disseres que não pouco me importa.
Talvez as "tuas" palavras não sejam mais do que memórias para ti.
Não interessa.
Faço delas um bálsamo para a minha sombra descansar no umbral enquanto escuto a tua alma.
(Fleuma)