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Por caminhos que se cruzaram, talvez porque assim deveria ter sido ou então, porque em muito raras e preciosas ocasiões duas criaturas quase gémeas conseguem sentar-se e partilhar sombras, um pacto foi estabelecido. Eu permaneço insignificante perante ele; vejo as formas físicas de um universo em que cada vez confio menos. Ele não precisa de tamanha montanha em frente ao sol dos seus pensamentos. Um cego que melhor observa todos os caminhos de guerra; os meus e os seus.

 

Partilhamos a sala rodeada de livros; uns mais maçudos que necessitam da ponta dos dedos para que os absorva. Outros têm letras e imagens a preto e branco. Gostamos dos momentos transformados em horas tardias quando a noite já parece infinita. Leio estes em voz alta enquanto muitas vezes entramos em conversas amenas e em ocasião mais sombrias. Entre tragos de um Porto doce soltam-se as correntes até que amanheça naquele local ameno e a cadela branca se apronte para se tornar fiel companhia guiando o caminho até ao quarto.

 

Numa destas noites, já ébrios e de espírito aplacado, afirmou que raramente se importava com o génio dos grandes escritores. Que estava lá. Existia. Provado e sem necessidade de comprovação. Parecia tão fácil olhar o génio como algo natural em certos livros. Quase perdia o brilho e o fascínio.

 

Não poderia concordar mais. Antes procuro o fascínio do génio na pessoa comum. Criatura de todos os dias que não imagina o brilho intenso que emana daquilo que despreocupadamente escreve. Uma genialidade que se embala no rasgar emocional; não na construção cuidada e planeada de um conjunto de símbolos a que chamamos palavras. É aquele traço fora da natureza mundana que força o meu olhar. O génio mora na capacidade que o próprio desconhece de conseguir transportar-me sem esforço. E quando confrontados com a sua destreza encolhem os ombros genuinamente descrentes.

 

Como na música: Stravinski, Paganini, Bach entre outras raridades. Génio fácil e dado como adquirido. Fico antes esfomeado com as notas escuras que tantas vezes se afastam do ouvido comum. Na sua mensagem e vibração habita um estranho e paradoxal fascínio tingido por diálogos com a alma. O genial de toda esta dicotomia emana mesmo do facto de oferecer caminhos. Seguir pelo que realmente ansiamos e não o que é suposto acaba também por ter o seu toque de génio.

 

# A ti.

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Deveria recordar-te que nada em mim será capaz de te magoar? Que os pressentimentos e agoiros que vês agora talhados no meu corpo, são memórias extraídas dos dias que testemunhaste. Então porque razão estremeces quando me dispo e me olhas? Que perante ti não existem campos de raiva ou guerra. Que quero a possibilidade dessa salvação.

 

Quantas vezes cerrei os olhos para que se apague o brilho que neles dança quando te toco? Baixei as mãos em rendição e abri as portas para além dos muros. Em quantas noites tem sido calada a ânsia entre as sombras do regresso e saudade? Quando a expressão dos teus suspiros me sussurram feitiços e mantras de encantar.

 

Serei capaz de te demonstrar uma e outra vez que rugosidade e densidade serão a companhia perfeita para os teus olhos e neblinas. Que estremeças apenas por saber que o animal se encontra tranquilo por ti.

 

E dorme.

 

 

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Seria importante que me fosse concedido um perdão da tua parte. Repara: nunca o pediria a mais ninguém. Muito menos de maneira tão veemente. Receio ser tão violento como a veemência de quem duvidou de ti. Ainda que em segredo, enrolado em nós no estômago e pensamentos de breu. Mas reconheço a dúvida e muito mais. Cinismo céptico.

 

Mesmo observando atentamente o teu combate todos os dias. Tantas foram as noites ao teu lado, respirando o teu suspiro, que terás de ser serenamente sábia comigo: a dúvida cresceu em angústia de que não vencerias. Perdoa-me, sinceramente. Mesmo as pequenas vitórias não enchiam este mar de cinismo porque me esqueci que as grandes batalhas são vencidas com diminutas conquistas.

 

Estúpido descrente!

 

Quero o teu perdão como punição pela minha crença de que existem impossíveis; por não ter reconhecido a tua armadura dourada e o teu silêncio sem voz que tudo me dizia, quando a febre subia e os lábios eram crostas. Perdoar será o único bálsamo que me poderás oferecer. Mesmo que esse rir me inunde de luz e certezas. Agora sim, certezas. Preciso desse assumir que tudo o que dei de mim não chega. Deveria ter acreditado.

 

Posso esperar dessa imensa maré, corrente e vontade que brilha cegamente em ti um pequeno laivo e rastilho de perdão? Que posso descansar quando me disseste que esta era a canção da tua vida, quando a idade em ti é ainda uma aurora? A "tua" canção, quando nas tuas dores a escutaste acompanhada pela minha voz, desesperadamente tentando que dormisses.

 

Mesmo com o teu perdão e mesmo que escutes esta canção para me recordares nas ausências, sabes que nunca te abandonarei. E que só por ti procedo a esta purga que me consome todos os dias.

 

Mas nada temas princesa. Não tenho apenas defeitos.

 

Sou também teimoso. E vigilante.

 

Só mesmo por ti me arrependeria do que sou.

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Caro Barrasco,

 

 

Devo, desde logo, dizer que o odeio!

 

Representando as ambivalências da realidade, pormenor que tanto me fascina, ressinto imenso a sua atitude. Creio que o que mais me molesta é a realidade nua e crua e a negação da existência de qualquer elite neste país; sois a própria imagem de uma dura constatação, julgar não é pertencer a qualquer elite.

 

Sinto-me embaraçado com o seu julgamento, não apenas porque esteja implantado em lirismos escrevinhados por pastores do deserto que, como decerto deveria ser por si entendido, estariam sempre sujeitos a certas trapaças solares e respectivos delírios; a minha vergonha agride-me de forma particularmente cruel, quando constato a metastização da sua cultura, obstrução mental e lógica visceralmente inferior ao mais rijo dos muros do seu tribunal.

 

Envergonha-me, a sua arrogância de magnânima parolice cega em plena idade das trevas. Perfeitamente ciente do manual de queima da sua santa inquisição. Porque sabe, tenho um imenso orgulho da minha condição de homem. Coisa minha, claro. Mas o seu julgamento coloca todos os outros homens na mesma condição, algo que me irrita solenemente! Fui ensinado por uma Senhora a não aceitar de bom grado a merda de ninguém; lido com a minha merda e tento desesperadamente não espargir os outros. Por isso me custa, caro barrasco, que pela merda de uns paguem os outros. Egoísmo meu.

 

Odeio-o, realmente e sem sequer o conhecer. Mas também não conheço a peste Bubónica ou o que terá comido para ter tamanha ignorância e nem por isso deixo de odiar. Mas principalmente, no topo de qualquer outra razão, odeio-o porque sou forçado a dar razão a quem olha de soslaio os homens. Aqui, meu caro, custa-me horrores! Dar razão e sem conseguir contestar uma merda que seja!

 

Porque estão cobertos de razão e eu sou forçado a aceitar e calar.

 

Feche os olhos e tente não acordar.

 

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* Blefaroespasmo ... *

 

 

Fala-me dos rios onde molhou os pés; foram tantos que deixou as memórias afogadas. Apenas tem a necessidade de contar sobre as correntes frias ou amenas. Despertar pelas ondas desfeitas contra as pernas cansadas em frente ao mar; enquanto escuta o gelo a respingar e a rachar.

 

A mente não é pequena. É um abismo imenso. Uma constelação onde se agrupam os livros lidos por uma eternidade desarrumada e suja pelos sorrisos e instantes onde a relva era mais verde, as luzes mais brilhantes. Mesmo as noites eram menos serenas mas mais maravilhosas em pontos brilhantes a descobrir.

 

O mundo parou. Sombras sem pele ou rosto. Quando o passeio era feito de mãos dadas, quentes em afago, contra o frio das tardes. A realidade era transparente, moldada nos rostos conhecidos.

 

O mundo avançou. Peço uma descrição dela. Não do mar ou rios que conheceu.

 

" Foi quando a vi pela primeira vez que realmente entendi a palavra paixão. Antes pensava saber o que era amar."

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 "Por que não deveria eu odiar os meus inimigos, se os "amasse" teria eu a sua piedade ?", Anton LaVey

 

Não consigo entender porque razão se queixam as pessoas da sociedade em que vivemos. A sério! Nem consigo conceber porque acto de maligna contrição as criaturas pensantes deste planeta se arrogam o direito soberano de criticar este nosso modo de viver!

 

Porque vivemos numa sociedade, plano de existência tão criativo, que no mínimo transborda de requintes hilariantes. Razão mais do que suficiente para sorrir e abrir os braços ao mundo que nos rodeia. Tanto e tanto que existe por explorar e conhecer; enquanto vamos desbravando os novos caminhos da justiça social, do falso mito do privilégio branco ou do feminismo imbecil disfarçando as pedradas ao macho com as sequelas do assédio e da misoginia ( Cristo em pulgas! Como adoro estas teorias tão sólidas...).

 

A alegria deveria ser a rodos neste nosso lugar de vida. Agora então, que o cristianismo está morto, podemos assim espancar o moribundo das convicções sem qualquer receio. É mister, no entanto, que o islamismo não seja sequer olhado! Aqui é um caso diferente, que esta é uma religião de paz e para mal dos nossos pecados, atentados não chegam para defender o contrário!

 

Amo desmedidamente este nosso antro de imundice e covardia, sinceramente. O nosso papaguear de igualdade para todos; a superprotecção que transforma as crianças em adultos caprichosos, preguiçosos e cretinos até à medula; a critica sistemática ao modo de vida ocidental por medrosos que não dispõem da coragem necessária para se mudarem, deixando o seu conforto e liberdade de expressão para trás. Como seriam dias esclarecedores para a mente tão preocupada com a injustiça e o racismo desfrutar de uma sharia sempre tão presente! Um apedrejar aqui, por um rosto destapado ou um olhar para outro lado; um atirar de ácido acolá, entre uns belos açoites, ficaria sempre bem a quem cresceu no vil ocidente e o nojo que são os seus homens.

 

Não importam as raças. Importam os dogmas e a imposição forçada com base em religiões. Este doce mundo degenera o cristianismo em agonia. Mas treme de medo porque tem memória colectiva e muito ancestral! Sabe que nada mudou. Quem agora mata em nome de deus tem apenas outro nome. Porque o modo de pensar e agir é o mesmo da idade média; quando se queimavam mulheres pelo mero acto de existir e se decapitavam os descrentes.

 

 

 

 

 

 

 

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* No 2 fks given ... *

 

 

Não é certo que eu algum dia consiga entender a incapacidade humana para aceitar a transformação; o mero facto de quem acha que devemos permanecer iguais ao que era igual em meses anteriores. Que uma cabeça rapada se torne sinónimo de estranheza quando o preferido eram os cabelos longos.  

 

O simples afecto por uma aparência física mais magra e franzina, sem dúvida menos intimidativo, prefere ignorar quem se esforça por crescer fisicamente; sempre desvalorizando o "monstro" como um cepo macaco e bruto. Torna-se clarividente o olhar perante as alterações, consumado no assomar de uma previsão de futuro negro para o portador de tal porte. 

 

Como em tudo a ignorância é uma ferramenta com um uso muito específico. Existem os que ignoram porque esta é a sua melhor defesa. Os ignorantes porque são incapazes de aceitar a diferença merecem um ódio especifico e muito mais primordial.

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" Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido.", Mark Twain

 

 

 

 

O que é mais importante? Ser o mensageiro portador das más noticias e do aquilatar sincero de certas incapacidades que muitos julgam ser suas benignas qualidades; porque afinal é de seres benignos que se orgulham de existir que pura e simplesmente se trata. Não é?...

 

Posso escrever estas palavras com todo o desplante que me apetecer, já que de mim não se rezam exemplos pela positiva. Nem caminhos a percorrer sem o perigo de ceder às tentações menos comuns. Tem as suas vantagens, claro. Porque o muro mais sujo e escuro não interessa, liberta sempre margem para poder observar e aceitar o negativismo alheio com o maior  sossego e por razões de lógica fria, quem está habituado aos disparates dos seres benignos depressa se mune dos anticorpos necessários para aguentar as suas ilusões. Coisa que não parece ser propriedade no sentido inverso.

 

Veja-se uma má noticia e um aquilatar sincero quando se pensava que em certas pessoas, que se orgulham de existir mas sempre na mesma predominância janota, lhes é explicado de forma muitas vezes tácita mas firme e convicta, que são estúpidas. E se recusam a um pequeno vislumbre que seja sobre a possibilidade, por mais longínqua que pareça, de que por norma não se é perfeito coisa alguma! Que de forma implacável e absolutamente necessária é esforço meritório combater estes ventos bucólicos que sempre cozinham a ideia de uma estupidez que não se deve combater a todos os instantes.

 

Por muito que se açoite o mensageiro porque infelizmente apenas acende as luzes para o lado mais frágil mas sempre muito afagado pelo pedantismo do "és um convencido! Não tens defeitos?", a verdade é que existe quem já esteja perfeitamente em paz com as suas incapacidade e jocosas imperfeições. A estes resta sempre o prazer do brinde final, do último expelir de fumo após fragrante refeição; um mundo inteiro, uma Terra com tantas esquinas, feitios e maneiras, mesmo assim, há quem se imagine inextricável na sua estupidez silenciosa e rastejante, sonhando que se trata de uma qualidade essencial à vida.

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 * The Left Hand Path...*

 

 

Recordo que nunca te afirmei ser belo. Bonito, sequer. Nunca o fiz perante ti ou para quem fosse. E no entanto, a ti nunca te interessou esta fragilidade. Existe a possibilidade, então, de que eu não seja um copo vazio. Que o que contenho consiga despertar amor de uma outra criatura quase inatingível. Quero imaginar que sim ...

 

Escuto. Aprendi a ouvir-te. Encontrar o teu rosto nas  palavras sinuosas de um português esforçado enquanto se vai unindo ao inglês perfeito, entre a suavidade do teu dialecto dos frios nórdicos. Creio que não seja próprio escrever desta maneira mas a verdade é que no calor da tua fala, nos teus gestos livres, me sinto animal sem pernas. Impotente.

 

Mas a minha falta de beleza, tão distante da tua, nunca nos impediu de sermos escuridão. E como tenho provado desse breu que transformas em magnânimo! Um vazio que se inundou. Uma passagem pelos dias de esterilidade para descansar na abundância.

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