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Natalia Drepina

 

Primeiro é a carne e o sangue.

Talvez não aceites isto. Se calhar é melhor que sejam as razões a comandar o que vem primeiro. E se calhar estás certa, mas eu prefiro ser o Animal que é metade carne e metade sangue, e apenas depois deixar jorrar o peso da consciência racional, essa prisão que embaraça os sentidos.

Por isso, primeiro é a carne e o sangue.

E tenho tanto para te contar sobre a minha carne e o meu sangue. Tanto sobre a inconsciência da alma. De como é devoradora esta gnose, este centro nervoso que alimenta tanta fome. Por isso sei do teu desvelo enquanto adormeces os pensamentos  no amanhecer, entre sonhos e sinais distantes. Sei como mudas de coração e alteras os teus passos.

Quase certa. Quase.

É a carne que sente primeiro o toque mais suave. É nesse primado absoluto dos sentidos que afasto a tristeza, a sombra e a escuridão. Talvez algo demasiado terreno para ti. Talvez o teu primado seja antes um sorriso intenso rasgado em luz; porque existem desses risos por aí, mas eu preciso de me entregar ao toque, por mais subtil que seja.

O sangue repete o catecismo da carne. O sangue dança quando a carne se entrega. É uma fúria lacerada em rasgos perfeitos de sensualidade sombria, rasgada com artifícios metódicos de desejo e consumo, uma pacificação nervosa, inquieta. Perigosa.

Mas nenhuma razão, nenhum pensamento de antecipação, consegue ser mais sublime do que aquele momento perfeito, aquele lapso no tempo, em que os nossos olhos brilham no escuro. 

Quando somos apenas carne e sangue.

 

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