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Catarse ...

 

Algumas palavras são como antigas fermentações mágicas. Por vezes, com a raridade do que é precioso e único, é possível ter um breve lampejo do latejar de quem escreve pensando. Um clarão momentâneo! Como se, naquele exato segundo, o reconhecimento, com as  duas mãos, virasse a nossa atenção para as palavras escritas. Palavras entre muitas outras palavras que se desviam de milhares de frases que nada dizem, iguais entre si.

Eu gosto de vampirizar estas singularidades como quem saboreia a emoção da revelação. É o pressentir de uma mão que se estende para mim e me oferece outros olhos, odores misteriosos e sons só possíveis de escutar enquanto vou viajando pela arquitetura das  frases. Consigo perfeitamente sentar-me ao lado de quem escreve e sentir a aragem dos dias ventosos; ou então caminhar com o calor do Sol; se calhar ajustar a mente infatigável a pormenores que me rodeiam, como um fantasma silencioso.

Existe uma centelha intensa na minha vontade de viajar. Continuo a viajar fisicamente porque sei que por muito que sonhe jamais me dará o mesmo prazer do viajante de muitos passos, mas o néctar de ler excertos de outras vidas e neles me reconhecer gera aquela embriaguez apenas reservada a uma rara elite de vampiros. Permito ser arrastado sem receio. Intruso sem culpa. Criatura treinada na arte dos que se baloiçam gentilmente na cadeira dos momentos esquivos em que pode realmente descansar a mente e o corpo.

Raro. Estranhamente embriagado. Aquele último e breve momento em que a mão estendida se afasta e consigo aquele muito suave sorriso  de reconhecimento.

Raro. Precioso. Necessário ao monstro.

 

 

 

 

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