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Εγώ ...


"A presença de um pensamento é como a presença de quem se ama. Achamos que nunca esqueceremos esse pensamento e que nunca seremos indiferentes à nossa amada. Só que longe dos olhos, longe do coração! O mais belo pensamento corre o perigo de ser irremediavelmente esquecido quando não é escrito, assim como a amada nos pode abandonar se não nos casamos com ela." - Arthur Schopenhauer

 

Escrevo para a minha própria salvação. Tudo o que escrevo tem a persistência de uma redenção que nunca será minha - mas insisto que será. Escrever é um método para o Caos, um portão que se fecha antes da entrada no abismo.

Escrever é isso mesmo, a sublime arte do diálogo silencioso interior, as minhas alucinações, os meus caminhos respirados, a mistura de outras terras nos meus passos, os ares das florestas que atormentam os meus anseios. Escrevo porque receio perder-me no esquecimento. 

Talvez essa salvação, essa possível redenção, também sobreviva na voz, no som das palavras, mas esse exorcizar é demasiado breve, para mim. Creio que se torna fácil esquecer quando permitimos que os nossos pensamentos se revelem pela garganta. É impossível que não se tornem miragens.

Não pela escrita. Podemos deixar que o esquecimento arraste pelo pó as nossas conversas solitárias, mas se realmente quisermos, podemos voltar atrás, reler uma página e não permitir a dissolução de certos momentos. E, se mesmo assim, certas folhas escritas forem rasgadas, eu quero que demónios, certas magias, poeiras do meu pensamento, sejam traçadas no meu corpo, onde falo de mim sem esquecimento.

Escrevo porque é irresistível a minha paixão que mergulha em sombras, porque me dispo na escuridão, e onde sei que, verdadeiramente, existe uma alma que pulsa intensa, etérea, alimento, em sementes de amor. 

Esse amor tão meu. Tão vorazmente magno e apaixonado.

 

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