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Agrada-me de forma solene a lenta deterioração ideológica nas criaturas que pensam comandar os destinos dos outros. É um dos meus raros momentos de alegria genuína assistir a essa decrepitude moral, assente num curvar humilhante perante a estatística do falhanço enquanto vão agitando os braços na procura de algo que venha em seu socorro. Esse patético momento, a minha referência mais do que absoluta para a incapacidade humana em sustentar algum altruísmo coletivo, revela todas as arbitrariedades da massificação das ideologias mais corruptas, insensatas e castradoras do individuo, em nome de uma palavra, uma ideia de perfeição falhada: Democracia - igualdade para todos - responsabilidade para todos.

E não. Não tenho outra solução para esta farsa que não habite em mim próprio. Não tenho nenhuma outra resposta para esta grande Democracia que se imagina como Grande Verdade, que não afirme exatamente o seu contrário. É impossível para mim não imaginar tudo isto como uma nova forma de tirania mascarada com as boas intenções da mais imperfeita das criaturas. Nós.

Não pretendo oferecer consolo, por mais parco que seja, porque temos o que merecemos, pela nossa inépcia, preguiça na reação e conforto no pensamento. Acho apenas delicioso este fraterno conceito de uma Grande Verdade que afinal não existe! Este martelar histérico e constante de um populismo imbecil e manco ora de uma Esquerda disfuncional e esquecida do seu passado, ora de uma Direita debiloide que apenas serve para reproduzir obscenidades e fantasmas fascistas. Esquerda e Direita em frente a um espelho na mesma imitação de macacos ensinados.

A Verdade é que afinal não existe uma Grande e única Verdade, e que tudo se torna muito pior com esta conclusão: a ironia de sermos uma extensão de Nada. De continuarmos a tentar transformar esta inércia na nossa forma vital.

(Fleuma)







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