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Há uma beleza histriónica na decadência, uma transcendência que não existe no vigor do inicio de algo, no florescer de um principio iluminado. Esse terminar decadente como uma luz que se apaga lentamente tem a impassividade do tempo, a predição sistemática da ruína. A intensa beleza decadente da rendição final do Inverno tirano nos braços dourados de uma Primavera esfuziante nas suas promessas.

As ruínas são um embalar virtuoso da nossa própria existência; são janelas abertas como retratos da alma; há nelas aquele vigor escondido num catecismo de indiferença que quase sempre recusamos olhar atentamente. Mas são isso mesmo: avisos do que está para chegar. Discípulos em veneração de outros tempos, como na recordação do fogo daquele primeiro beijo e os braços em volta do nosso pescoço, compreender a reverência desses instantes porque no fim só isso mesmo irá restar na nossa solidão. 

Adormeço com frequência entre elas porque as procuro com paixão. Tremo entre elas quando caminho nos seus silêncios e sossego como se fosse um fantasma enamorado e ciumento.

(Fleuma)







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