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Talvez eu não saiba dos anos dos outros.

Creio que sim. Não sei nada.

Nunca pretendi que assim fosse, por essa impossibilidade de desejar "um feliz ano" sem  estar em frente ao outro, sem cravar os meus olhos nos do outro. O que não deixa de ser paradoxal nesta vaga de redes sociais onde o calor de um abraço, a leveza de um beijo, são servidos por algoritmos disfarçados pela distância e aborrecimento de mais um ano que passou.

Estranho em mim.

Talvez assim seja porque sempre fui isso mesmo: animal de labirintos e atmosferas a desejar ardentemente confiar em algo ou alguém. 

Os anos foram passando com a intermitência corrupta e escura daqueles pensamentos venenosos de quem sai de um labirinto para entrar na sombra de outro. E é estranha, esta pulsão por labirintos e sombras que nunca me irá abandonar, este ritmo quase carnal que não me deixa descansar sem imaginar como poderiam ter sido os outros anos. Antes deste.

Compreendo. Não consigo imaginar o ano dos outros sem sentir aquela fome voraz de absorver os seus dias e as suas noites. Arrastar outros para os meus tempos e os meus pensamentos. Agarrar nas suas cabeças e baixar os seus olhos com os meus.

Terrível e egoísta. Eu sei. E não me envergonho; os meus anos que desejo são o que eu sou e no que os vou transformando até ao meu último suspiro.

Porquê Outubro? Porque não outro mês? Existem tantos!

Porque foi no Outubro de um Ano onde não foram desejadas boas entradas nem boas festas que consegui, lenta e dolorosamente, paulatinamente, dar um nome próprio a Sombras e Labirintos. Beber de outras Atmosferas.

Creio que sim.

Foi num Outubro que deixei de olhar um Ano como mais um tempo que passou. E apenas isso.

Como se em cada ano que que vou deixando para trás ficasse um pedaço que me pertence e o qual recuso perder.

(Fleuma,)

 


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