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Podemos tentar reproduzir algum sentido de ordem num caos permanente. Alinhar os objectos numa tentativa absurda de quantificar o que achamos ser nosso e apenas nosso. Sonhar com uma suposta capacidade perfeita para planear os dias, enquanto deixamos as noites entregues à inconsciência de morte que não conseguimos controlar. Vestir a roupa da nossa sorte. Beijar muitas vezes a medalha do santo preferido. Tudo serve. Tudo importa.

Meditar sob o peso das incertezas, enquanto vamos escondendo dentro de nós uma lei de probabilidade que consiga deixar-nos mais humanos. 

E se eu disser que procuro incessantemente essa sagrada e secreta geometria da sorte? Que não procuro a glória, mas antes quero alinhar a possibilidade de conhecer todos os sintomas antes do seu desaparecimento da memória? 

Que a minha respiração se aquieta de olhos cerrados enquanto percorro as linhas de um corpo nú e vou lamentando o que deveria ter dito antes e não disse.

(Fleuma)

 

 







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