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Parassonias ...

 

Mas está lá. E eu lembro-me, vou sempre lembrar-me, nos suaves momentos antes de adormecer, nos instantes que antecedem a insónia e o sono profundo, está presente. Na voz sussurrante de algum Deus da Terra ou do Paraíso,  no silvo em gargalhada do Caos inocente, também entre a voz dos vivos, áspera e dolorosa, como fuligem de uma fria Ordem: impossível.

A voz dos Mortos...

Vagueia no sono até morrermos.

Gostaria de conhecer todas as palavras para falar da Morte. Gostaria disso e não ficar sempre com o sabor amargo de ser demasiado, e mesmo assim não o suficiente. Traçar os meus planos até ao meu último suspiro, mesmo que se revelem imperfeitos. Sempre imperfeitos. E esta coisa de morrer chega tão vagarosa: uma relutância em libertar os lençóis todos os dias que é tão semelhante a uma Morte.

É estranho, por vezes sonho com uma Morte solitária, sem ninguém ao meu lado para me ver morrer; deixar de ver o vapor da minha respiração a embaciar os vidros. É estranho sonhar com algo que será sempre um último suspiro em solidão - ainda que rodeado por dezenas de pessoas. Mas é como um último gesto, uma última voz de comando, um derradeiro silêncio de palavras, desejar ardentemente reter memórias, antes que desapareçam como pássaros.

 


2 comentários

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olhosqueleem 06.01.2022

Li e demorei...
Apenas consigo escrever isto:

Abraço-te e proíbo-te de morrer!

(Já a avisei que podia ir embora...ainda falta muito tempo e de forma quase egoísta eu preciso de ti, por aqui.

Ana
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Fleuma 07.01.2022

Abraço-te.

E enquanto puder estou aqui.

Fica tu também.

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