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Os livros de notas estão cheios de fragmentos, estilhaços de intenções pessoais, conclusões curtas e encontros.

Como...

Duas criaturas juntas, sentadas na varanda a meio da noite, olhos postos nos pirilampos e com milhares de estrelas no céu nocturno. Olhos ora num lado ora no outro. Diria que o silêncio tem sabor nestes momentos, onde a noite se torna violentamente bela, e que se revela demasiadamente fácil aceitar a ideia de que as constelações falam uma linguagem própria, apenas revelada naqueles precisos instantes, fragmentos onde não é possível apenas testemunhar mas necessário registar em qualquer lado que seja. 

Este registo de uma aparente banalidade é uma submersão nos fragmentos que alimentam os passos silenciosos de outros. O que pode perfeitamente esboçar na indiferença de tanta gente - os meus fragmentos religiosamente preservados, talvez venham, numa dessas noites de desencanto de uma outra alma, a ser anotados numa margem do pensamento como traços do que sou. 

E porque acho que não se devem folhear estilhaços não consigo passar página por página os livros de notas dos outros, mesmo que por vezes os retenha anotando caminhos e olhares esquivos. Traços das palavras que começam potentes e algures pelo meio escurecem pensativas, vão deslizando para fragmentos, estilhaços de catarse que muitas vezes recortam os dedos a quem o tenta.

 

(Fleuma)

 

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