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Começa por ser um enigma silencioso envolto naquela inquietação de quem tenta balançar as emoções. Nas primeiras horas da madrugada, quando a claridade ainda não consegue rasgar a espessura dos céus negros,  despertam as paixões mais intensas. Viajo trezentos quilómetros de uma ponta a outra sem premeditação, entre questões sem resposta, numa  estranha forma de catarse, incapaz de permanecer imobilizado - traindo os sentidos num sonolento iludir.

Por vezes desperto num outro local como quem acaba de abrir os olhos, ainda mergulhado no espairecer de um sonho, e é a enorme caneca de café negro, a imensa fatia de pão escuro torrado com azeite e o mais saboroso queijo que me devolvem outra realidade. As horas são escorridas num limiar - ora inerte nos pensamentos batidos pelos ventos mais distantes ora desperto em frente ao rebentar das águas e incapaz de calcular as horas que se esfumam.

Este é o estado mais próximo do afastamento total. Uma quase paralisia silenciosa e consentida, entrançada numa qualquer ânsia que ainda desconheço nestes dias. Esta fome inesgotável que me arrasta os passos como se o mundo fosse acabar e com ele se desfaçam os meus sonhos. 

Já não procuro a justificação para esta vontade. Antes deixei que a minha rendição justificasse a sua melodia de sereia. 

E ela continua a segredar promessas quando regresso.

De novo adormecido no berço da distância que vai embalando o meu olhar e a minha paixão por espaço.

 

 







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