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A distância tem o carisma das mais intensas paixões. Possuí a alquimia da saudade. Entrega aos reencontros os sintomas de uma estranha panaceia que tudo parece cicatrizar - nem que seja por breves momentos. É no confronto com as distâncias que tenho visto muitos a vergar debaixo do peso das lágrimas. Como uma inevitável consequência da imensidão de espaço repleta de ausência. Pela conclusão fria, lógica, de que mesmo em companhia, existem universos distantes - finalmente concluir esse facto.

E os dias são preguiçosos. Naquele estranho ladainhar que conta os minutos mergulhado nos dias e nas noites sem fim.  Sempre recitando a prece que consola os sentidos - porque já se foi outro dia. Porque já restam menos dias.

Mas eu gosto de me sentar com a distância num lânguido e silencioso pacto entre dois demónios que se conhecem de outras Eras. 

Sei que a minha distância anseia por este café negro e espesso. Amargo como as saudades que alimenta. Sei como gosta de ser acarinhada e possuída com violência despojada. Encanta-se com a ilusão de que chega para me salvar. Nunca revelando os seus portentos.  Insinuando-se nua e perversamente bela.

E eu? 

Escondo sempre algumas migalhas de esperança em mais um dia que finalmente se esbate em traços de carvão.

 

 


2 comentários

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naomedeemouvidos 25.04.2021

Vou ficar aqui um bocadinho. Quieta. A tomar esse café, exactamente como eu gosto.

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