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Hoje choveu. Primeiro em gotas frias e grossas, vindas de um céu cinzento escuro como chumbo, apenas traçado por instantes prateados como pensamentos distantes. Depois, a chuva tornou-se neve, atormentada pelo cantar pesaroso dos ventos do Norte. Recordei os nossos passos na neve, o bater do frio, as canções da floresta, o calor da voz do Corvo vermelho que aquece como um toque de amor, mas mais profundo.

Recordei-me.

O sangue a viajar em mim, alegre, insolente, em bruto. Sem medos e sem cicatrizes. Uma essência fractal, como os raros raios de luz que atravessam os ramos secos e mergulham nos mantos de neve. Ainda assim, um sangue a fervilhar por promessas de redenção e salvação, enquanto me deixava embriagar pelos Céus lá em cima, muito acima dos braços dos pinheiros gelados.

Juro que me senti vivo! A estalar em faíscas, como um fogo primário adormecido em mim. A Sombra de uma outra Sombra, capaz de cantar e dançar entre as chispas do Fogo Maldito.

Esta noite choveu. Choveu muito. E sou capaz de jurar que consegui ouvir,  nas bátegas surdas, a tua voz a cantar e o teu riso a erguer-me  das sombras.

 

Fleuma,







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