Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



 

 

Still glowing ashes ...

 

A Maneira pragmática, quase trivial, com que tem testemunhado o passar dos anos no corpo nunca deixou de me causar espanto. Mesmo observando a sua ladainha todos os dias, não consigo ficar indiferente. A velhice tardia - " o por-do- sol da vida", como insiste em chamar-lhe - aproxima-se; mesmo assim, insiste em não lhe ficar indiferente. Persiste, educadamente, tirando o chapéu. Indiferente a todos os vícios que o consumiram e continuam a assombrar os seus dias e noites em claro. Nunca serei comparável a ele. Mesmo com tudo o que me corrói e deixo que consuma. É impossível que experimente demónios tão intensamente únicos e pessoais.

 

Mas não teme a morte. Desde logo, basta que se leia a sua face. Impossivelmente estranha, creio eu. Brilha através do fumo do cigarro. Exprime ânsias que não entendo. Vagaroso a absorver momentos, até aos dias de hoje ainda não consegui testemunhar olhos tão vorazmente vivos! Olhos quem bem podem já ter testemunhado o universo e mesmo assim recusam-se a ficar satisfeitos. Resignados.

 

Felizmente, sei que saudará a morte. Sei. Com toda a certeza. Não pertence a este mundo. Demónio de mil passagens nocturnas. Embriagado por chegar ao fim. Senhor de si. Mesmo que chegue sem aviso, será com naturalidade que lhe irá segredar com a voz rouca, "bem - vinda, sua cabra!"

 


1 comentário

Sem imagem de perfil

longitudes 06.04.2016

Aprecio a tua escrita. A intensidade das palavras que nos prendem ao teu texto do princípio ao fim.

Comentar post







topo | Blogs

Layout - Gaffe