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Aceito a morte. A minha e de tudo o resto. Não aceito a tua morte. Aceito que os rios e oceanos morram. Que não consiga partir o meu corpo e escapar das correntes oferecidas e sacrificadas pela minha mãe quando nasci. Não aceito que morras em mim. Aceito que seja o teu monstro, que me ensinaste os caminhos de entrada sem que soubesse sair. Aceito. 

 

Aceito até a cegueira de quem julga caminhar erecto sem saber que coxeia. Estão mortos, eu sei. Mas jamais aceitarei a tua morte. Exijo morrer primeiro. Porque nunca precisei de muito para aceitar o lítio desta escuridão. Nunca deixei de procurar, vagueando, o fim. Não aceito que te afastes antes de mim.

 

E dizes que não sou um monstro. Antes que me perco em demasia e que gosto de conversas nocturnas sobre a morte. Mas não  te aceito nela. Antes irei eu. E Deus. E o inferno. Observa como viverás eternidades antes da morte! Talvez seja esta a recompensa de quem se julga só e aceita que uma mão quente se aperte na sua. Talvez.  

 

 

 

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