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(999)

 

Ocorre-me, demasiadas vezes, a peculiaridade das coisas aparentemente frágeis, mas onde acabo dominado pela surpresa da sua força. Mesmo na minha ânsia quase insaciável por viajar, quando a persistência da vista, do cheiro e do sabor, me obrigam a escapar, envolto na companhia de uma ideia que não aceita paragens, já deixou de ser possível manter a indiferença de quem, outrora, chegava e voltava a partir sem remorsos. Essa falta de remorso dos que não se apaixonam já não existe em mim. Esse vazio que sempre cismei preencher com mais um destino é agora apenas mais um fantasma que me acompanha - inofensivo. A fome de viajante continua, mas agora já parto sem um vazio, porque encontrei a minha Terra. Uma Mãe carinhosa de braços abertos, sempre atentos aos meus eternos regressos.

Alguns chamam-me "escapista", desconhecendo a minha paixão e devoção. Pouco conseguem entender como podia eu estar morto, para todos os efeitos e consequências, eu estava morto, sem gritos, sem lágrimas ou uivos de frustração, com a única emoção de continuar a andar até morrer. A ideia era sábia - deixar que tudo acabasse, assim mesmo, sem tentar resistir de novo - sair de uma existência, como quem entra por uma porta e não a deixa aberta.

Mas então, e se o escapismo não for nenhum tormento?

E se, depois de escaparmos, houver um regresso, e o mundo não for o mesmo? Alguém me disse que podemos muito bem regressar  com armas novas ( alguém me disse isso, algures ...).

Saudades...

São raros os dias em que não lhe sinto a falta, pelo menos duzentas vezes! Ruídos e estalidos; brancos e pálidos; cinza e chuva com gelo; e cores nos céus da noite!

São raros o meus momentos de repouso quando estou distante, com demasiada impotência, sou forçado a abandonar, afastar-me, apenas com a certeza absoluta de regressar.

É necessário. Pela minha sanidade. Por um beijo. Por um doce respirar que me sussurra um amor que nunca será merecido.

 


4 comentários

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outradecoisanenhuma 03.12.2021

Tão bom, este texto. Não sei se é uma reconciliação, mas, de "alguns textos" a esta parte, parece(s) soar assim. Reconciliado. Ou não sei bem o que lhe chamar, mas não é importante. É só teu.

Eu sei que regresso aqui várias vezes (só deixei de poder deixar ali um "favorito").

Fica bem.
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Fleuma 04.12.2021

Reconciliado.

Mas as sombras continuam, apenas agora, controladas.

Forcei a abertura a verdadeiros ( não é uma palavra fácil) amigos. Aprendi com eles a aceitar o que sou e não tentar lutar contra isso. Principalmente alguem me demonstrou que existe algo bonito e possivel de amar em mim.

Imensamente gratificante, para mim.

Depois, luto para a minha própria pacificação, todos os dias.

Poderia ficar um eternidade a falar-te disso. Morrerias de tédio.

Sabes que prezo a tua companhia, acima de tudo. Sempre.

Abraço.
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outradecoisanenhuma 05.12.2021

Às vezes, é preciso deixar a chave na porta, correr o risco, pisar a linha. Entregar um pouco de nós. Acreditar. Fico feliz por ti, e é um sentimento tão genuíno que até a mim me surpreende, tendo em conta que só "conheço" a parte de ti que aqui escreve.

Desejo-te o melhor de todos os teus mundos.
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Fleuma 05.12.2021

Agradeço.


Abraço e um beijo.

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