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 * Anoto inevitabilidades ...*

 

 

 

Gostaria que a porta fosse fechada ao fogo. Por um momento que seja, que fosse absorvida a ideia de inevitabilidade. É que entre os gritos e as lágrimas rasgadas e tecidas no que foi feito ou não, seria importante que fosse dito o quanto esta existência é efémera. Que pouco importa o livro lido há semanas entre os segredos guardados lado a lado com o que mais nos importa. Mesmo que por vezes, em dias de agrura mais longa entre as raivas mais descrentes, não se revejam as sementes de um mundo imperfeito. Onde ninguém está sempre certo ou sempre errado.

 

Porque é desta inevitabilidade e fogo primário que temos medo. Da forma como na nossa fortaleza de metal e cimento somos reduzidos às cinzas da morte. Nós! Que sempre julgamos ser práticos e funcionais. Os que gostam de afirmar estar tudo bem para justificar a falta de doenças que nos consumam.

 

Eu tenho receio da existência de silêncios perante a expressão de filhos e mães em descrença. Não conseguir explicar, entre a visão das lágrimas e o negro das queimaduras, que quando tem de ser é. Que o fogo é um rebelde sem lei e não adiantam as expressões de indignação perante o culpado. Mas acima de qualquer outra razão, temo que não seja possível a explicação de uma inevitabilidade que nos rompe na ironia de uma mirada pelo vidro de um carro, entre a companhia escolhida e a dissolução absoluta. E temo não conseguir silenciar a certeza de que não voltará a haver mais fins de tarde e noites de luar.

 

O sofrimento é um ermo desmiolado. Nunca mente, realmente. Mas são as distâncias criadas entre as pessoas que mais pesam nesta inevitabilidade. Não o espaço físico de centenas de metros. Nem sequer na curta distensão de morrer ombro a ombro. Antes nos quilómetros que surgem tiranos com o fim dos que nos são queridos. Quase se revela preciosa a necessidade de choro silencioso e solitário. Perante a impotência.

 

 

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