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Seria importante que me fosse concedido um perdão da tua parte. Repara: nunca o pediria a mais ninguém. Muito menos de maneira tão veemente. Receio ser tão violento como a veemência de quem duvidou de ti. Ainda que em segredo, enrolado em nós no estômago e pensamentos de breu. Mas reconheço a dúvida e muito mais. Cinismo céptico.

 

Mesmo observando atentamente o teu combate todos os dias. Tantas foram as noites ao teu lado, respirando o teu suspiro, que terás de ser serenamente sábia comigo: a dúvida cresceu em angústia de que não vencerias. Perdoa-me, sinceramente. Mesmo as pequenas vitórias não enchiam este mar de cinismo porque me esqueci que as grandes batalhas são vencidas com diminutas conquistas.

 

Estúpido descrente!

 

Quero o teu perdão como punição pela minha crença de que existem impossíveis; por não ter reconhecido a tua armadura dourada e o teu silêncio sem voz que tudo me dizia, quando a febre subia e os lábios eram crostas. Perdoar será o único bálsamo que me poderás oferecer. Mesmo que esse rir me inunde de luz e certezas. Agora sim, certezas. Preciso desse assumir que tudo o que dei de mim não chega. Deveria ter acreditado.

 

Posso esperar dessa imensa maré, corrente e vontade que brilha cegamente em ti um pequeno laivo e rastilho de perdão? Que posso descansar quando me disseste que esta era a canção da tua vida, quando a idade em ti é ainda uma aurora? A "tua" canção, quando nas tuas dores a escutaste acompanhada pela minha voz, desesperadamente tentando que dormisses.

 

Mesmo com o teu perdão e mesmo que escutes esta canção para me recordares nas ausências, sabes que nunca te abandonarei. E que só por ti procedo a esta purga que me consome todos os dias.

 

Mas nada temas princesa. Não tenho apenas defeitos.

 

Sou também teimoso. E vigilante.

 

Só mesmo por ti me arrependeria do que sou.

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2 comentários

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De Isa a 20.11.2017 às 17:26

Queria dizer algo que conseguisse sequer tocar a admiração que sinto pela princesa, e por ti. Mas não encontro palavras.
Só esta sensação de pequenez perante lutas maiores, e um orgulho alheio que me comove e ensina.

Lindo texto, Fleuma.

Abraço.
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De Fleuma a 21.11.2017 às 15:22

Esta menina é uma das poucas preciosidades que retenho na minha vida. Aliás, nada, nada se lhe compara. Enquanto eu for vivo nada lhe fará mal; isto nem sequer é uma afirmação. É uma certeza.

Desculpa a resposta tardia, mas estou exausto dos últimos dias de emoção.

Obrigado pela companhia.

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