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"Monstro" é um reflexo intuitivo, inevitavelmente espelhado em certas expressões. Mesmo que não sejam proferidas palavras. Avaliar pela estrutura física é todo um mundo para certas criaturas. Na mentalidade de cerco em que subsistem, contactar com alguém desproporcionalmente maior instiga os complexos de fuga e inferioridade, mergulhados num raquítico mal estar e incapacidade de discernir muito mais longe do que a mera massa muscular.

 

A constatação não me retira o sono. Não, numa realidade cada vez mais assente no que se aparenta. Nem sequer a admoestação sempre tão benévola das senhoras e senhores que gravitam na ideia do tamanho e a falta de inteligência. Em tranquila paz, celebrando a ignorância cultivada pela covardia de sair do conforto mesquinho dos seus dias.

 

A quem me conhece, entre as palavras e gestos tintos obscuros, guardo a carícia das minhas mãos. A surpresa de um toque que de rude se transforma em seda; porque é imenso o medo de magoar quem expõe de maneira tão frágil e verdadeira o corpo. Foram necessários anos para controlar o ansiar físico, aceitar a sua falta de receio e as destemidas certezas, onde a gentileza é tantas vezes a luz que invade a força.

 

São os dedos longos e delicados que muitas vezes me traçam o rosto para que esqueça a rugosidade da expressão. Mesmo que apenas por segundos. Uma luz vertida sobre a desproporção, por quem sossega na minha sombra sem medos. Consciente da sua própria força e natureza.

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