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Porque sou comezinho com os meus próprios detalhes sempre alinhados com certas rotinas que apenas a mim importam para respirar e passar os dias, insisto em abrir certas persianas em locais de solidão escolhida. Existe uma chama pacificadora na realidade dos outros e nas suas rotinas que afinal, sempre revelam detalhes nas repetições dos seus dias.

 

Como regressar ao alpendre nos dias de neve e deixar que o café me queime a garganta. Nas manhãs, quando o sol é ainda tímido e o vento gelado corta a respiração, persisto na minha tentativa de manter promessas feitas a outros e mesmo sabendo da aproximação do fim a passos rápidos desta escarpa de palavras, regressar ao que outrora foi luminoso.

 

O caminhar continua, entre canteiros e plantas que desconheço mas que estranhamente parecem brilhar por si neste clima gelado e cinzento; tão normal e familiar ao seu andar altivo e apenas interrompido por breves segundos  de um tempo que a mim me parece longo. Colhe uma flor que eu, ignorante na botânica da mãe natureza, apenas desenho no seu vermelho intenso. Ergue-se de novo. Roda o pescoço para a esquerda e direita: prossegue.

 

Regressa uma vibração quase musical ao meu olhar, como retornam os corvos negros ao alto das montanhas após os dias de açoite da neve. Alargou a entrada da pequena estufa como prova de que as promessas crescem e consomem o espaço dos vivos. A estufa permanece diminuta como pergaminho de uma esperança que há muito deixou a insolência do seu medrar. Trémula aos ventos.

 

Quando leva apenas um joelho ao solo arenoso antecipo asas melancólicas escondendo-se nas suas costas ossudas. Quando curva o rosto de cabelos brancos como a neve e deposita a flor que desconheço no pequeno altar quero ficar invisível. O universo seguramente retém o seu respirar e contrair.

 

Na saída de um portal bordado com a linha vazia de uma promessa o caminho é o de sempre. A tristeza vem tinta de altivez e de um passear firme.

 

Apenas as suas costas sobriamente curvas conseguem trair esta estatura com notas sombrias. A canção é a dos bardos que dançam nas costas de uma solidão prometida. 

 

 

# Para ti.

 

 

 

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