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 " Devemos a quase totalidade das nossas descobertas às nossas violências, à exacerbação do nosso desequilíbrio. ", Emil Cioran

 

(999)

 

Mil palavras não seriam  suficientes para o descrever. Talvez a viagem apressada do sangue pelo corpo seja um pálido reflexo. Talvez o medo de esmagamento. Talvez o incessante pensamento a martelar - que a manhã se encaminha e o esforço da noite findará - seja o suficiente para aceitar o descanso.

 

O que é este sentimento de gigante que sinto? Esta profana noção de força bruta assusta-me. Tentar significados quando se superam fraquezas não tem descrição. E mesmo a lógica mais fria não comanda o conforto da negação ao que foi antes vaticinado. Não se explica. Sente-se nas piores tormentas. É pele que não se veste como galhardo esforço para aparência. É carne temida pela mácula dos frutos que para ti, ele, ela e eles, geraram uma capacidade quase surreal de forçar uma força que nunca serão capazes de sonhar.

 

Mil palavras não descrevem as mãos gretadas pelo atrito no ferro. Como se tornam grandes para não deixar fugir o momento em que finalmente aquele peso, antes miragem de espantos, se eleva do solo. O sangue que escorre entre as narinas quando as costas lutam com o peso e a gravidade. E alguém consegue sequer vislumbrar  o êxtase de passar a língua por esse sangue que escorre quando  nos gritam, entre a névoa da dissipação mental, quase de mãos dadas com o desfalecimento: " - Conseguiste!! "

 

... Uma vez mais.

 

Já me foi afirmado que certas tentativas de superação são perfeita loucura e caminho para um fim rápido. Uma grande maioria.

 

Outros, poucos, quase irmãos, sabem do segredo religioso. O delírio que enche o corpo e a mente. O triunfo de uma dor partilhada por ombros, peito, costas e pernas em fogo. Alquimia de espessura muscular que cria gigantes ...

 

 

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