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" Aquele que se delicia com a solidão ou é um animal ou um deus." -  Aristóteles

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(999)

 

Eu não tenho ídolos. Creio ser essencial para a minha sobrevivência matar os ídolos. Nada tem de filosófico esta necessidade parricida. Apenas um instinto primário de consumir o hospedeiro para subsistir. Respirar. E é nosso. Meu e de todos. Este desejo de consumo. Não me sinto culpado.

 

Eu tenho luzes que aceito como estradas e abrigos. Referências tresmalhadas que habitam na minha vontade. Todas estas luzes, faróis de navegação descompassada, são a materialização da morte do conceito humano de deus e o cimentar do meu mais puro ódio contra todas as religiões. Fascinam-me individualismos onde não existem tronos de castigo de fogo eterno ou prometidas virgens.

 

Um hedonista que se deslumbra no espasmo da mentira de tantos que julgam possuir virtudes e direitos oferecidos por deus. Um viajante meticulosamente fascinado como uma criança perante a América de Idaho; deslumbrado pelo puritanismo de Adão e Eva, armas vendidas a preço de saldo nas mercearias mas que a quem procura uma verdade diferente, nada existe que incomode. Descoberta de um local encantado onde se pode possuir uma montanha nas traseiras da casa. Onde, absorto, estarrecido e deslumbrado, consegui ver um grande Alce na estrada gelada! Um enorme Urso! Um truculento Lobo!

 

Não tenho ídolos. Decidi sentenças de morte. Simples.

 

Quero conhecer o que pensam as estrelas de nós. Sinceramente. Vasculhar entre os fios da realidade as adoráveis silhuetas dos poucos eleitos capazes de beber utopias. Pessoas que me rasgam as convicções e ensinam a regressar para escapar, desaparecer, render-me ao espaço e ao silêncio tirano. Encontrar abrigo nas fissuras da armadura.

 

Floresta negra onde olhos verdes que brilham se convertem em desarmonia e urge que sejam escondidos. O corpo deve ser pudico e amplamente coberto, porque a visão de quem se cruza parece absurdamente severa diante o exagero de tamanho. Não se deve sequer tentar juntar os ombros com as montanhas que nos cercam. Aqui as mulheres ainda se atemorizam com o peso e tamanho de um homem.

 

Viajo incansável porque as luzes se afastam. Sou uma criatura de colheitas que sorve atmosferas. Humilhado pela sua insignificante presença no universo. Assombrado por chamamentos de prata e ouro onde pensei ver apenas um olhar distante e frio.

 

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