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O falso moralismo sempre me fascinou. Também sempre me irritou. E sempre foi objecto de estudo pessoal. Por razões tão pessoais e por demais obscuras porque só a mim interessam, observar como tantos se estafam a cobrir um vazio cósmico com pormenores e afagos ainda mais vazios, ajudou-me sempre a conhecer e reconhecer estas criaturas. Algures, trajados em rigor absoluto, avivam memórias e supostas agruras que passam e passaram. Vão afagando a ideia de que estão sós e em batalha contra o mundo. Uma falta estranha, esta: incapacidade de encontrar a cura para uma moralidade deficiente. Por isso, porque em casa de miseráveis há muito vivem e respiram, usam o moralismo de quem se sente ofendido e alvo de perseguição para encher os bolsos vazios.

 

A única coisa que um falso moralista quer, anseia, é nadar numa auto comiseração onde tudo o que rodeia o seu espaço é sincera miséria. Onde todos os outros, num mundo atroz, se lhe não comparam. Somos todos almas desgraçadas, mas ainda assim os outros são piores. Mas a mim, cínico intragável, fascina-me que não percebam, estes moralistas absolutos, que isso é nada sentir. É não pressentir o tornado que se aproxima. Uma paralisia sem sensações e incapacidade de preencher um espaço. Mesmo estando presentes em forma física, não ocupam nada. Um falso pudor de quem não percebe a falta de solo e as pernas penduradas no vácuo. Sem vento ou calor. Apenas a desilusão dissimulada. Travestida em indignação nojenta. Em choque artificial. Igual a uma condição terminal e apenas mantida em artifícios gastos por demasiados dias a apodrecer. 







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