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A natureza humana gosta de se deliciar com mentiras sobre os seus receios e desejos. Mente desgrenhada sobre o que escondem outras almas. Prefere a companhia de semelhantes, pregada em mandamentos de solidez edificada por deuses que nunca viu. Enquanto isso, massaja, obsessiva, as têmporas da suave enxaqueca vestibular onde dormem as suas tonturas e amarguras.

 

Mente.

 

Intoxicada nas luzes amigas ou palavras modestas de companhia porque teme a solidão. E porque não consegue fugir dos dias onde as lições são repetidas demasiadas vezes. Em nome do Pai, do Filho e de um Espírito que se anseia santo.

 

A verdadeira natureza humana é imperfeita porque se esconde atrás de trapos esburacados, onde ainda alguma claridade se esboça. Não sabe de outro rosário que não o da asfixia lenta. E nada lhe é mais permanente do que o cautério da claustrofobia. Animal de becos sem saída não quer espaços livres. Prefere o aperto sem respiração.

 

O claustrofóbico é a nossa maior dádiva e maldição. Dentro do ventre materno. Na sede e na fome. Nas agonias esbatidas pelo aperto hábil da esperança. Em comunhão física, pincelada de grandiosidade libertadora e divina, porque é desta natureza esfarelar a gosto e tempero de prosa ou poema épico um amplexo de sensações que nada mais é do que uma libertação física. Prazer e adrenalina? Não. Dor e claustrofobia libertadora.

 

Por veias finas surgem tempestades silenciosas.

 

 

 

 

 

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