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Temos a falsa noção dos Invernos que passam. Enquanto o sangue corre pelas veias de maneira vital e os dias são brilhantes, esquecemos que o inverno tem olhos antigos de tanto tempo que o esquecimento é o seu melhor agasalho.

 

Alguns Invernos, crispados por monções e gelos dolorosos, são únicos entre outros Invernos. As suas rugas, meticulosamente traçadas, desfiam os anos de vida silenciosamente guardada e não falam. Apenas parecem desejar sussurrar; sabem que dos seus lábios caminham sabedorias antigas e isso parece incomodar os astros brilhantes da primavera.

 

E cheiro. Tresandam a odores de desilusão e abandono. Ensopados na geada de promessas não cumpridas e dedicação cega para obter nada.

 

Aliás, nada, parece ser o seu vergar aos anos.

 

Não são estranhos aos olhos dos animais observadores estes Invernos. Sóis poentes com braços e pernas dormentes dos dias vividos, afastaram as sombras da pressa de viver. Sabem, entre os tragos dos dias cada vez mais pacificados e as virtudes da espera, que são assim mesmo: Invernos onde tudo termina.

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