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Por vezes, são alguns momentos que me despertam para uma certa realidade. Raros. Tão esparsos que se transformam em apertos dolorosos. Surgem do nada e transportam consigo a transcendentalidade das revelações.

 

Um pequeno, quase invisível, vislumbre da importância de uma criatura. Uma só criatura universo. Compacta. Uma órbita de anéis onde tantas vezes a tempestade se aplaca num murmúrio. Algo com a capacidade de absorver a força bruta do Caos e permanecer intacta. Impossibilidades.

 

Creio piamente na ideia cada vez mais profunda em mim; estranhamente mora esta noção de que não estou a queimar os anos com algo sem valor. Não consigo afastar este horizonte. Por mais que tente perseguir portentos ou sombras, tudo se encerra numa só criatura universo. 

 

Como se explicam certos ventos de outras margens a um descrente? Como se torna possível esta perda irreconhecível da necessidade de autofagia, porque afinal existe muito mais potência noutro toque e calor de um beijo?

 

Como se justifica à consciência a vontade, necessidade primária, de sentir saudades para manter viva a imagem de uma só criatura. Um universo onde se torna tão, mas tão fácil perder.

 

 

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